Durante o evento de lançamento de sua própria pré-campanha no Parque da Cidade (DF), realizado no sábado (1), a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) trouxe a público a confirmação de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aceitou concorrer a uma cadeira no Senado Federal representando o Distrito Federal. A declaração põe fim a um período de especulações e impasses gerados por atritos internos na legenda e por hesitações prévias da própria ex-esposa do ex-presidente.
“Michelle Bolsonaro anuncia que ela é, sim, pré-candidata ao Senado pelo PL do Distrito Federal. Acabou a dúvida, acabou o mistério, nós caminharemos juntas: Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Celina Leão, a maior chapa que esse Distrito Federal já viu. A maior, a melhor, feita por mulheres aguerridas. E nós chegaremos lá graças a vocês e graças a Deus”, celebrou a parlamentar.
O ato político contou com a presença de figuras centrais da política local e nacional, incluindo o dirigente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e a chefe do Executivo distrital, Celina Leão (PP), que conta com o respaldo da sigla na busca pela reeleição. Com o acerto, Michelle e Bia devem preencher as duas cadeiras destinadas ao PL na coligação governista. O martelo final deve ser batido na convenção partidária agendada para este domingo (2), ocasião em que a ex-primeira-dama deverá dividir espaço no palanque com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), postulante ao Planalto.
Até pouco tempo antes do anúncio, a ex-titular da pasta feminina do partido ponderava que o martelo não estava batido. Após um encontro com Bia Kicis e Valdemar na sexta-feira (31), ela havia pontuado que consultaria Jair Bolsonaro, reforçando que sua prioridade máxima era a assistência ao cônjuge.
As dúvidas sobre o futuro político da ex-primeira-dama haviam escalado após um desentendimento público com seu enteado, Flávio Bolsonaro. Em gravação veiculada no dia 24 de junho, ela relatou ter sofrido episódios de desrespeito e humilhação por parte do parlamentar em meio a divergências sobre estratégias eleitorais da legenda no estado do Ceará e a visibilidade de mulheres na política.
Dias após o episódio, Michelle renunciou à liderança nacional do PL Mulher, função que exercia desde o ano de 2023, e informou à cúpula partidária que desistia da postulação legislativa. Em julho, Flávio declarou publicamente que o vínculo familiar estava rompido e que não compreendia os motivos que levaram a madrasta a expor o conflito. O racha gerou apreensão nos caciques da sigla, que receavam a retirada definitiva da aliada da disputa, o que poderia comprometer tanto o cenário no DF quanto as ambições presidenciais do enteado.
Diante do cenário de crise, figuras influentes como Celina Leão e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) intensificaram as articulações para convencer Michelle da ideia de desistência. Na hipótese de um recuo definitivo, o plano de contingência do grupo seria apostar na recondução do senador Izalci Lucas (PL-DF) para compor a chapa ao lado de Bia Kicis.