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Grupo que planejava atentado nas eleições pregava 'revolução política' e ódio a mulheres e meninas
Polícia Civil aponta que suspeitos discutiam ataques durante o período eleitoral de 2026, compartilhavam material sobre explosivos e mantinham discursos misóginos em grupos na internet
04/08/2026 15h36 Atualizada há 3 semanas
Por: Mateus Pereira Fonte: Metrópoles
Foto: Reprodução/PCDF

A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) revelou novos detalhes sobre o grupo suspeito de planejar atentados em Brasília durante o período das eleições de 2026. Segundo a corporação, os investigados defendiam uma suposta "revolução política" contra o sistema, sem ligação com partidos ou ideologias de direita ou de esquerda, enquanto propagavam discursos de ódio contra mulheres e compartilhavam conteúdos considerados extremistas em grupos de mensagens.

De acordo com a polícia, os integrantes se conheceram por meio do Telegram e passaram a trocar mensagens sobre possíveis invasões de prédios públicos, recrutamento de participantes em diferentes estados e escolha de alvos. As conversas também incluíam mapas, plantas arquitetônicas, modelos em 3D de edifícios de Brasília e manuais para fabricação de artefatos explosivos, material que agora será analisado pela perícia.

Além do planejamento de ações violentas, os investigadores identificaram mensagens marcadas pela misoginia. Em um dos diálogos monitorados, um dos suspeitos afirmou que "mulheres não podem ser delegadas, juízas ou promotoras porque só fazem besteira". Para a PCDF, esse tipo de conteúdo reforça o perfil extremista do grupo, que também disseminava ataques direcionados ao público feminino.

Os oito investigados têm entre 19 e 31 anos e vivem em diferentes estados do país. Entre eles estão trabalhadores da iniciativa privada, desempregados e até um seminarista ligado a um mosteiro em Pernambuco. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Pernambuco, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, resultando na apreensão de celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos.

Durante as diligências, a polícia informou que não encontrou armas ou explosivos, mas considera o material recolhido fundamental para determinar o estágio de desenvolvimento dos planos discutidos pelo grupo. Neste momento, os suspeitos são investigados, em tese, pelos crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia ao crime ou criminoso e infrações previstas na legislação antirracismo. Até agora, o caso ainda não foi enquadrado na Lei de Terrorismo.

As investigações também foram relacionadas à Operação Lívia, que apura a morte de uma adolescente de 13 anos, em Mato Grosso do Sul, que tirou a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord. Segundo a Polícia Civil, integrantes da mesma rede extremista teriam coagido e ameaçado a vítima antes do suicídio, evidenciando um padrão de violência digital voltado especialmente contra mulheres e meninas.