O postulante ao Palácio do Planalto Flávio Bolsonaro (PL) ratificou, nesta quarta-feira (5), a indicação do deputado federal, Alfredo Gaspar (PL-AL), para compor sua chapa como candidato a vice-presidente.
A configuração de chapa única concretiza-se em um cenário de restrição política e barreiras para firmar pactos com outras siglas. Na terça-feira (4), legendas como Republicanos, União Brasil e Podemos declararam postura neutra na corrida presidencial. A definição gerou surpresa nos bastidores de Brasília: embora Rogério Marinho estivesse cotado inicialmente, ele próprio atuou para viabilizar uma alternativa de dentro do partido. A coordenação eleitoral também buscou uma figura feminina para o cargo com o propósito de atenuar resistências de votantes mulheres, mas a escolha recaiu sobre Alfredo Gaspar.
A inclusão do parlamentar alagoano corrobora a tática de associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às irregularidades investigadas em fraudes de pagamentos do INSS, visto que Gaspar atuou como relator da CPMI correspondente.
Neste mesmo período, Lulinha, herdeiro do chefe do Executivo, passou a ser investigado em três inquéritos sob suspeita de tráfico de influência. Paralelamente, o ex-assessor presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, entrou na mira da Polícia Federal (PF) em decorrência de um empréstimo obtido junto a Roberta Luchsinger, que atua como lobista e possui laços de amizade com Lulinha.
Agremiações centristas, a exemplo de Republicanos, Podemos e a Federação União Progressista, recusaram aliar-se formalmente ao PL ou ceder nomes para a vice-presidência, arranjo que serviria para ampliar o tempo de propaganda gratuita em rádio e televisão, superando o espaço da chapa governista.
Contudo, os partidos optaram pela imparcialidade na disputa nacional visando priorizar as articulações regionais e expandir suas bancadas legislativas. Lideranças femininas como Tereza Cristina (PP-MS), Daniela Marques (Republicanos) e Renata Abreu (Podemos) chegaram a ser cotadas, mas as legendas declinaram dos convites.
Os vetos decorrem de múltiplos fatores, destacando-se os interesses locais: em vários estados, especialmente no Nordeste, os partidos do bloco centrista dividem palanques com o petismo. O movimento alinhado ao governo federal trabalhou ativamente nos últimos meses para afastar essas siglas da campanha de Flávio, obtendo êxito na manobra.
Outro complicador envolve vínculos de dirigentes da federação União-Progressistas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, alvo de detenção e apurações da Polícia Federal, o que gerou reticências para uma associação formal com a oposição.
Por fim, as pesquisas de opinião atuais que apontam o mandatário como principal favorito tornam o projeto de Flávio menos atrativo, dado o risco de mais quatro anos de isolamento na oposição em caso de derrota.