O ator Wagner Moura voltou a comentar sobre política e surpreendeu ao afirmar que gostaria de estabelecer um diálogo mais produtivo com pessoas ligadas à direita. Conhecido por defender pautas do campo da esquerda, ele afirmou que temas como gastos públicos, cobrança de impostos, programas sociais e o tamanho do Estado poderiam render debates importantes, desde que o confronto de ideias não fosse substituído por ataques pessoais.
A declaração foi feita durante participação no programa "Conversa com Bial", exibido na noite da última terça-feira (5), em entrevista gravada em Atenas, na Grécia, onde o artista está em cartaz com o espetáculo "Um Julgamento".
Durante a conversa, Wagner também desabafou sobre o desgaste provocado pelas críticas que recebe por causa de seus posicionamentos políticos. Mesmo reconhecendo o incômodo, o ator garantiu que não pretende abandonar suas convicções nem deixar de se manifestar publicamente sobre temas sociais.
Ao comentar as críticas, Wagner ironizou o argumento de que seu sucesso profissional deveria fazê-lo abandonar ideias associadas à esquerda. "O cara diz assim: 'Você prosperou na sua carreira como ator'. Quando estava lá em Rodelas, fui pobre, aí podia ser de esquerda, né? Parece que é como se tivesse um portal por onde você passa. Eu queria saber qual é o teto. Quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social?", questionou.
O artista relembrou a infância em Rodelas, no interior da Bahia, e afirmou que suas experiências de vida continuam influenciando sua visão de mundo. Filho de um sargento, Wagner disse que o sucesso não apagou sua história e que continua preocupado com pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade, rebatendo críticas sobre morar no exterior enquanto defende pautas sociais no Brasil.
Wagner Moura também destacou a importância das políticas públicas para a cultura. Segundo ele, leis de incentivo existentes em Salvador durante os anos 1990 abriram espaço para o surgimento de novos talentos e contribuíram diretamente para sua trajetória artística, além da carreira de nomes como Lázaro Ramos e Vladimir Brichta.
Ao encerrar a reflexão, o ator lamentou a dificuldade de promover debates no cenário atual. Para Wagner, em outros momentos era possível que pessoas de diferentes posições políticas interpretassem um mesmo fato de maneiras distintas. Hoje, segundo ele, até a existência dos acontecimentos passou a ser contestada, tornando o diálogo democrático cada vez mais complicado.