Investigações da Polícia Federal sobre o senador Weverton Rocha (PDT-MA), no contexto dos desvios previdenciários apurados na Operação Sem Desconto, apontam uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro. A apuração, que motivou mandados de busca expedidos pelo ministro André Mendonça contra familiares e aliados do parlamentar, baseia-se na análise de dados telefônicos e no mapeamento de um fluxo de capitais focado em blindar os reais favorecidos. As informações são da Gazeta do Povo.
A acusação coloca o advogado Willer Tomaz na posição de operador chave, acusando-o de estruturar um "hub financeiro, patrimonial e logístico" para o grupo. O esquema combinava movimentações em dinheiro vivo, uso de interpostas pessoas, transações societárias e contratos simulados para escoar recursos. As diligências destacam frentes estratégicas:
Aquisição imobiliária: A negociação de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, acertada por R$ 6 milhões com envolvimento direto de Weverton.
Postos de combustíveis: Estabelecimentos geridos por familiares do congressista que, embora figurassem em conversas como em "situação financeira crítica", serviam para adquirir maquinários, fazendas e repassar valores a aliados.
Rota aérea de divisas: O transporte de quantias expressivas em espécie, por vezes superiores a R$ 1 milhão por viagem, em jatos particulares entre Brasília e o Maranhão.
Radiodifusão e operador dedicado: A utilização de emissoras de rádio controladas pela família para abrigar bens e a atuação de uma interlocutora registrada como “Financeiro WT”, responsável pela distribuição de verbas e contabilidade paralela.
Em nota, o senador Weverton Rocha rechaçou as suspeitas, atribuindo a investida a "interesses políticos" e declarando estar "tranquilo" quanto à origem legal de seus bens e à atuação de sua equipe.
Por sua vez, o advogado Willer Tomaz sustentou que “jamais teve qualquer envolvimento com os fatos apurados no âmbito da Operação Sem Desconto e que não figura como investigado no referido procedimento da Polícia Federal”. Pontuou ainda que "a disponibilização da aeronave ao senador Weverton Rocha ocorreu em caráter estritamente pessoal e amistoso, sem qualquer vínculo com os fatos investigados pela operação" e, sobre suas empresas do ramo imobiliário, reiterou que "As atividades da empresa são realizadas regularmente, não havendo qualquer irregularidade nas operações citadas". Por fim, salientou que os pagamentos efetuados à advogada associada ao seu escritório, parente do parlamentar, correspondem à contraprestação por serviços jurídicos formalmente prestados e declarados.