Luiz Inácio Lula da Silva manifestou convicção ao avaliar suas chances no próximo pleito presidencial, sustentando que o governo de sua atual gestão credenciam o projeto do PT a uma nova vitória. Em entrevista concedida na quarta-feira (5) ao canal Meteoro Brasil e ao podcast Três Elementos, no YouTube, o mandatário declarou não ver motivos para a perda de apoio popular, afirmando: "Não há razão para não votarem em mim".
No entendimento do presidente, o resgate da atividade econômica, o combate ao desemprego, a abertura de postos de trabalho e a reestruturação de políticas sociais formam a base defensável de sua caminhada pré-eleitoral.
Apesar do tom otimista do discurso governista, indicadores oficiais recentes desenham um cenário de desaceleração em áreas estratégicas. Dados do Caged indicam perda de tração no mercado formal de trabalho: o Brasil acumulou 921,6 mil postos com carteira no primeiro semestre de 2026, número que representa um declínio de 25% na comparação com o mesmo período do ano anterior e o pior desempenho para o primeiro semestre desde 2020. A desaceleração também foi sentida em janeiro, quando a geração de 112,3 mil vagas formais significou queda de 27,2% em relação a janeiro de 2025.
No front fiscal, a performance das companhias públicas tornou-se um flanco sensível de desgaste. Levantamento do Banco Central revela que as estatais federais não dependentes de repasses diretos do Tesouro, grupo composto por empresas como Correios, Infraero, Serpro, Dataprev e Casa da Moeda, excluindo Petrobras, Eletrobras e instituições financeiras oficiais, somaram um deficit recorde de R$ 5,93 bilhões no acumulado de janeiro a abril de 2026.
O resultado representa a maior marca negativa para o período desde o início da série temporal em 2002 e já ultrapassa o rombo total de R$ 5,1 bilhões registrado por essas corporações em todo o ano de 2025. O desequilíbrio é pressionado sobretudo pelos Correios, que fecharam 2024 com prejuízo de R$ 3,2 bilhões, metade do deficit apurado naquele exercício entre as estatais pesquisadas.
Somando-se às variáveis econômicas, a pré-campanha enfrenta a reação pública do resgate de episódios de corrupção do passado e o impacto de novas apurações sobre aliados e familiares. A oposição volta a explorar escândalos como o Mensalão, deflagrado em 2005 devido à compra de apoio parlamentar e julgado pelo STF, e a Operação Lava Jato, que desarticulou o Petrolão, um esquema de desvios e repasses indevidos entre empreiteiras, dirigentes da Petrobras e partidos políticos. As condenações atribuídas a Lula no âmbito da Lava Jato (relativas ao tríplex no Guarujá e ao sítio de Atibaia) foram posteriormente anuladas pela Suprema Corte em razão de vícios de competência e falhas na tramitação processual, sem pronunciamento sobre o mérito das acusações.
Mais recentemente, irregularidades envolvendo descontos não autorizados em proventos de beneficiários do INSS trouxeram a pauta ética para o centro da agenda política. As apurações identificaram abatimentos Indevidos promovidos por entidades ligadas ao PT em contracheques de aposentados e pensionistas.
A controvérsia atingiu o núcleo do governo: Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), ex-chefe do gabinete pessoal do presidente, confirmou o recebimento de valores vindos da empresária Roberta Luchsinger, ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes (o "Careca do INSS"), sustentando tratar-se de um empréstimo estritamente privado e já quitado. Paralelamente, a Polícia Federal instaurou diligências para verificar o grau de proximidade e eventuais conexões de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, com alvos investigados no esquema.