Durante participação em entrevista transmitida pelo portal g1 e pelo canal GloboNews, o candidato à Presidência do país pelo partido Missão, Renan Santos, classificou parlamentares do bloco conhecido como centrão de "parasitas e vagabundos". Apesar das duras críticas, o postulante enfatizou que buscará entendimento com esse grupo caso vença a eleição, justificando a inviabilidade de administrar o Executivo sem a base no Congresso: "É impossível. Então, eu não apenas falo que eu terei que governar com eles, eu terei que compor governo com eles, eu terei que compor ministeriado. O que eu vou precisar fazer é estabelecer as regras para isso".
Ao projetar o cenário representativo das urnas, o político declarou que o "eleitor brasileiro vai eleger pelo menos 300 parasitas e vagabundos em outubro". Diante da indagação feita pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery sobre o contraste entre qualificar agentes públicos de "parasitas e vagabundos" e, ao mesmo tempo, admitir alianças institucionais com eles, o presidenciável pontuou: "Sim, como eu sou democrata, eu vou ter que compor".
“Mesmo com as diferenças postas, eu chamando os membros do centrão que são parasitas... Então vamos chamar o parasita para mesa e a gente começar a tratar dos projetos. Eu acho que a função da democracia é justamente essa, e o parlamento e as instituições entregam essas possibilidades”, afirmou Santos.
A entrevista abordou também embates com oponentes no pleito. O candidato criticou o senador Flávio Bolsonaro, acusando-o de "fingir que se preocupa" com as demandas do público feminino. A manifestação se deu em resposta à ideia do senador de conceder aparelhos celulares e pacotes de dados sem custo a mulheres: "Eu tenho um problema muito específico contra querer ficar fazendo proselitismo fingindo que se preocupa, como é o caso do Flávio, que ficou querendo dar celular agora para falar que gosta de mulher".
Questionado a respeito da escassez de iniciativas focadas na prevenção da violência contra a mulher em suas diretrizes de governo, alegou que o combate a esse tipo de crime é de caráter "urgente", embora defenda que a coordenação direta dessas medidas cabe predominantemente aos estados e municípios. No tocante à gestão pública dessas áreas, teceu elogios ao trabalho conduzido pelo governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e pelo prefeito da capital do estado, Ricardo Nunes (MDB).
Renan também voltou a defender que não acatará "decisões ilegais" vindas do Supremo Tribunal Federal no exercício da Presidência. Confrontado pela bancada da GloboNews sobre o cumprimento das ordens judiciais, o candidato declarou categoricamente que "decisão ilegal não se cumpre", acusando a Corte de avançar indevidamente sobre as prerrogativas reservadas aos outros Poderes.
“Há, nesse instante, no Brasil, um estado inconstitucional de coisas quando o STF fica passando o tempo todo sob atribuição de outros poderes. E cabe ao presidente da República também não aceitar isso”.