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Maria da Penha faz alerta sobre grupos 'red pill' nas redes: “Precisamos ensinar meninos a lidar com a rejeição”
Ativista que dá nome à principal lei de proteção às mulheres afirmou que o avanço de grupos misóginos e discursos de ódio na internet exige novas formas de enfrentamento
07/08/2026 13h13 Atualizada há 3 semanas
Por: Mateus Pereira Fonte: Folha de S.Paulo
Foto: Reprodução/ONU Mulheres

Vinte anos após a criação da Lei Maria da Penha, a ativista que inspirou a legislação afirmou que o combate à violência contra as mulheres enfrenta novos desafios. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Maria da Penha alertou para o crescimento da misoginia nas redes sociais e da influência de grupos conhecidos como "red pill", que, segundo ela, representam uma ameaça à liberdade e à segurança das mulheres.

Para a ativista, é fundamental investir também na educação dos homens desde cedo.

"Precisamos ensinar meninos a lidar com rejeição, frustração ou conflitos afetivos sem transformar as mulheres em inimigas. Não queremos apenas mulheres sobreviventes. Queremos mulheres livres, autônomas, respeitadas e vivas", afirmou.

Maria da Penha também fez um balanço dos avanços conquistados desde a criação da lei, destacando que a violência doméstica deixou de ser tratada como um problema restrito ao ambiente familiar e passou a ser reconhecida como uma violação dos direitos humanos.

Apesar disso, ela acredita que a transformação cultural ainda acontece em ritmo mais lento do que as mudanças na legislação.

"Conseguimos avançar muito na legislação, mas ainda não avançamos na mesma velocidade na transformação da cultura e na implementação das políticas públicas", declarou.

A ativista também relacionou a violência doméstica e os casos de feminicídio à vulnerabilidade econômica de muitas mulheres. Segundo ela, fatores como dependência financeira, falta de emprego e dificuldade de acesso à moradia acabam dificultando o rompimento com relacionamentos abusivos.

Por isso, Maria da Penha defendeu o fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção das vítimas.

"Não basta entregar uma decisão judicial à mulher. É necessário avaliar continuamente o risco, fiscalizar o agressor e agir rapidamente quando houver descumprimento. Política pública não funciona sem equipe, estrutura, tecnologia, capacitação e recursos", concluiu.