A indicação de Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alça as apurações sobre desvios no INSS a um dos pilares estratégicos da oposição na corrida presidencial. Ex-promotor e antigo secretário de Segurança alagoano, o parlamentar atua para fortalecer o discurso anticorrupção e ampliar a penetração do projeto eleitoral na Região Nordeste. As informações são da Gazeta do Povo.
Na condição de relator da CPMI que apurou descontos ilegais em benefícios previdenciários, Gaspar assinou um parecer de mais de 4,3 mil páginas pedindo o indiciamento de 216 indivíduos por crimes como lavagem de dinheiro, estelionato e formação de quadrilha. Embora a comissão tenha reprovado o texto por 19 votos a 12 na madrugada de 28 de março, o dossiê servirá de munição para os guias eleitorais da oposição.
O foco central das investidas da campanha mira Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. No documento da CPMI, o relator defendeu o aprofundamento das suspeitas contra o filho do presidente, associando-o a um suposto favorecimento e intermediação de interesses empresariais no governo federal, chegando a postular sua prisão preventiva.
A atuação de Gaspar também gerou embates diretos durante as sessões da comissão, a exemplo de quando dirigiu um recado a Lula após a aprovação da quebra do sigilo bancário de Lulinha: “Lula, não fique com raiva do presidente, do relator e da oposição, não. A gente quer o bem do Brasil. Agora fique com raiva da sua base, fique com raiva da sua liderança porque eles erraram pela segunda vez naestratégia. Eles foram soberbos”, declarou em 26 de fevereiro de 2026.
As apurações desdobraram-se para além do âmbito parlamentar. A Polícia Federal conduz três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a suposta prática de tráfico de influência por parte de Lulinha. O vice da chapa do PL tem aproveitado os novos passos das autoridades para reforçar suas duras críticas no ambiente virtual. Em 8 de agosto, três dias após ser oficializado na chapa, o deputado publicou no X: "O Brasil não aguenta mais ver a blindagem de corruptos, nem a proteção ao filho de Lula, o Lulinha [...] Estamos esperando: quando a Polícia Federal vai bater à porta de Lulinha? Ele tem muito o que explicar".
Além de Lulinha, o relatório resgatou a atuação do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidade que teve o irmão de Lula, José Ferreira da Silva (Frei Chico), como vice-presidente. A entidade figurou entre os alvos por cobranças indevidas, embora nem Frei Chico nem o presidente tenham sido investigados criminalmente no âmbito dos desvios na Previdência. O material também engloba o ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, apurado pela PF em frente apuratória paralela sobre tráfico de influência.
O outro lado
Todos os citados rechaçam qualquer envolvimento em práticas ilícitas:
Sindicato e Frei Chico: Quando o escândalo dos descontos veio à tona, em abril de 2025, Frei Chico assegurou ter convicção na retidão da entidade: "Espero que a Polícia Federal investigue toda a sacanagem no INSS, porque tenho certeza de que o nosso sindicato não deve nada”. O Sindnapi declarou que apoiava as apurações rigorosas e transparentes para estancar injustiças.
Defesa de Lulinha: Argumenta que as menções na comissão possuíam claro viés político-eleitoral e nega qualquer vínculo do cliente com os episódios no INSS. Sobre as apurações da PF, os advogados denunciam uso político das instituições no calendário eleitoral, criticam vazamentos "seletivos e criminosos", apontam falta de acesso aos autos e acusam os investigadores de promoverem uma "pesca probatória" por falta de provas concretas.
Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola): Garantiu jamais ter cometido atos ilícitos em sua passagem pelo governo federal e esclareceu que um empréstimo pessoal citado pelas apurações da PF está sendo distorcido para criar falsas suspeitas.