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Entidades citam 'ameaça à liberdade de imprensa' após Moraes mandar investigar fonte de jornalista
Operação da PF atingiu ex-secretário apontado como fonte de Luís Pablo; entenda
12/08/2026 13h56
Por: Mateus Pereira Fonte: g1
Imagem: fotospublicas.com

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou na última terça feira (11) uma operação da Polícia Federal que teve como um dos alvos Raimundo Cutrim, ex secretário de Segurança Pública e de Assuntos Legislativos do Maranhão. Segundo matéria do g1, ele é apontado pelos investigadores como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens envolvendo o ministro Flávio Dino. A medida contou com solicitação da PF e parecer favorável da Procuradoria Geral da República (PGR).

As buscas ocorreram após a apreensão, em março deste ano, de celulares, computador e pendrive pertencentes ao jornalista. Segundo a investigação, o material teria levado os investigadores até Cutrim, que é suspeito de ter utilizado acessos restritos para obter informações e imagens de veículos ligados ao Tribunal de Justiça do Maranhão e repassá las a Luís Pablo. As publicações tratavam, entre outros pontos, do uso de um carro oficial por familiares de Dino.

O advogado e ex secretário municipal Diogo Diniz Lima também foi alvo da operação. A Polícia Federal afirma ter identificado conversas entre ele e Luís Pablo e investiga uma possível articulação para desgastar a imagem de Flávio Dino. Os investigadores também encontraram registro de uma transferência de R$ 100 mil feita pelo advogado ao jornalista e apuram se o valor teria relação com publicações de interesse do grupo ligado a Cutrim.

Entidades reagem a decisão de Moraes

A operação provocou reação de entidades ligadas à imprensa, que demonstraram preocupação com a preservação do sigilo da fonte. Em nota conjunta, associações como a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Jornais e a Associação Nacional de Editores de Revistas afirmaram que medidas para identificar fontes jornalísticas não encontram respaldo constitucional e podem criar precedentes considerados prejudiciais à liberdade de imprensa.

Luís Pablo também se manifestou e afirmou estar preocupado com o que classificou como uma tentativa de criminalização da atividade jornalística. Segundo o jornalista, o fato de interesse público revelado por suas reportagens, relacionado ao suposto uso irregular de veículos oficiais por familiares de Dino, não teria sido apurado, enquanto a investigação passou a concentrar atenção sobre sua fonte e aspectos de sua vida privada. A defesa de Raimundo Cutrim, por sua vez, disse ainda não ter tido acesso aos processos e afirmou que as denúncias seguem sem apuração.

Em resposta, a assessoria de Flávio Dino negou que tenha ocorrido uso irregular de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão. Segundo a equipe do ministro, um carro blindado foi cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF dentro de um acordo de cooperação existente com os tribunais do país. A assessoria também afirmou que investigações identificaram monitoramento de Dino e de familiares, incluindo crianças, e acesso ilegal a informações sigilosas de segurança. O gabinete sustenta que a apuração busca esclarecer os responsáveis e os objetivos desse monitoramento e informou ter solicitado novas medidas de proteção para o ministro e sua família.