Notícias POLÊMICA
OMS reage após Trump mudar política de vacinação infantil nos EUA
Novas diretrizes defendidas pelo governo americano levantam questionamentos entre especialistas, enquanto país enfrenta aumento nos casos de sarampo
12/08/2026 15h11
Por: Mateus Pereira Fonte: Portal LeoDias
Foto: Reprodução/YouTube - WhiteHouse

A nova ofensiva do governo de Donald Trump para alterar a política de vacinação infantil dos Estados Unidos provocou reação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade afirmou que decisões relacionadas à imunização devem ser baseadas em evidências científicas acumuladas ao longo de décadas e demonstrou preocupação com mudanças recentes adotadas pelo governo americano.

A repercussão aumentou após um evento realizado no Salão Oval na última segunda feira (10/8). Durante a cerimônia, Trump permaneceu sentado enquanto o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., apresentava as alterações. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostraram o presidente com os olhos fechados em determinado momento, o que levou internautas a especularem que ele teria cochilado. As mãos de Kennedy, que aparentavam tremer durante o discurso, também chamaram atenção.

No centro da discussão está uma ordem assinada por Trump para reformular as recomendações federais de imunização infantil. Entre as mudanças defendidas estão a redução do número de vacinas indicadas rotineiramente e um intervalo maior entre algumas aplicações, além de alterações nas regras relacionadas à vacinação exigida para estudantes.

Outro ponto que gerou críticas envolve a vacina MMR, equivalente à tríplice viral utilizada no Brasil. A proposta é que os imunizantes contra sarampo, caxumba e rubéola sejam aplicados separadamente. Especialistas apontam que não existem evidências de benefícios nessa divisão e ressaltam que as três versões individuais sequer estão disponíveis atualmente nos Estados Unidos.

Diante da discussão, a OMS defendeu que os calendários de vacinação sejam estabelecidos a partir de avaliações independentes e transparentes. A organização destacou que a definição da idade e do intervalo adequado para cada dose leva em consideração décadas de pesquisas sobre transmissão de doenças, resposta do sistema imunológico, eficácia e segurança dos imunizantes.

O debate ocorre em um momento delicado para a saúde pública americana, com forte aumento nos registros de sarampo. Robert F. Kennedy Jr. já esteve envolvido em controvérsias sobre vacinas antes de assumir o cargo, inclusive por divulgar alegações sem comprovação científica sobre uma possível relação entre imunizantes e autismo. Mais recentemente, porém, em meio ao avanço da doença, ele afirmou à CNN que os pais deveriam vacinar os filhos contra o sarampo e reconheceu a eficácia da vacina. Trump e Kennedy sustentam que as mudanças ampliam a autonomia das famílias e aproximam o calendário americano daquele adotado em outros países desenvolvidos.