Exclusivas Opinião
“O cravo e a rosa” ou “Chocolate com pimenta”: Globoplay Novelas sofre com a síndrome da porta giratória
O canal a cabo do Grupo Globo tem repetido constantemente novelas exibidas quando ainda se chamava Viva
12/08/2026 21h11 Atualizada há 2 semanas
Por: Flávio Melo
Foto: Instagram

Existe uma espécie de síndrome da porta giratória no Globoplay Novelas. As tramas entram, saem, dão uma volta e, quando a gente percebe, lá estão elas novamente.

A próxima a entrar por essa porta é “Tropicaliente”, de Walther Negrão. Exibida originalmente pela Globo em 1994, a produção já passou pelo “Vale a pena ver de novo” e também esteve na programação do Canal Viva, em 2014. Agora, a partir de setembro, retorna para ocupar o espaço de “Anjo mau”.

E é justamente aí que mora a questão: por que voltar outra vez a uma história que o telespectador já teve tantas oportunidades de rever quando existem tantas outras esperando por uma chance?

A década de 1990 deixou um verdadeiro baú de preciosidades esquecidas. “Anjo de mim”, “Quem é você”, “Olho no olho” e “Salsa e merengue” são apenas alguns exemplos de títulos que fizeram parte da memória televisiva e, mesmo assim, nunca ganharam uma reprise no canal dedicado justamente a preservar esse patrimônio.

São obras que poderiam ser apresentadas à nova geração e, principalmente, fazer jus à proposta de resgatar a teledramaturgia brasileira.

O mesmo acontece com a faixa interativa que coloca o telespectador no comando da escolha. O primeiro duelo foi entre as Helenas: “Por amor” venceu “Laços de família”. Depois veio o embate rural, com “O rei do gado” levando a melhor sobre “Renascer”. Agora, a partir de outubro, Walcyr Carrasco está no centro da disputa com “Chocolate com pimenta” e “O cravo e a rosa”.

São grandes histórias, ninguém discute. O problema é justamente esse: são tão grandes que já tiveram espaço demais.

As duas já passaram pelo antigo Viva e diversas vezes no “Vale a pena ver de novo”. Enquanto isso, títulos da primeira década dos anos 2000 continuam esperando na fila, quase como figurantes esquecidos.

Onde estão “Esplendor”, “Uga uga”, “A lua me disse” e “Um anjo caiu do céu”? Produções que carregam autores, atores, personagens e trilhas sonoras capazes de acionar uma memória afetiva instantânea, mas que permanecem longe da tela.

É claro que nostalgia também é negócio. Uma emissora sabe quais tramas possuem maior potencial de audiência, repercussão e identificação. Mas um canal criado para celebrar a televisão poderia se permitir um pouco mais.

Afinal, resgatar não deveria significar apenas repetir aquilo que já provou funcionar.