Existe uma espécie de síndrome da porta giratória no Globoplay Novelas. As tramas entram, saem, dão uma volta e, quando a gente percebe, lá estão elas novamente.
A próxima a entrar por essa porta é “Tropicaliente”, de Walther Negrão. Exibida originalmente pela Globo em 1994, a produção já passou pelo “Vale a pena ver de novo” e também esteve na programação do Canal Viva, em 2014. Agora, a partir de setembro, retorna para ocupar o espaço de “Anjo mau”.
E é justamente aí que mora a questão: por que voltar outra vez a uma história que o telespectador já teve tantas oportunidades de rever quando existem tantas outras esperando por uma chance?
A década de 1990 deixou um verdadeiro baú de preciosidades esquecidas. “Anjo de mim”, “Quem é você”, “Olho no olho” e “Salsa e merengue” são apenas alguns exemplos de títulos que fizeram parte da memória televisiva e, mesmo assim, nunca ganharam uma reprise no canal dedicado justamente a preservar esse patrimônio.
São obras que poderiam ser apresentadas à nova geração e, principalmente, fazer jus à proposta de resgatar a teledramaturgia brasileira.
O mesmo acontece com a faixa interativa que coloca o telespectador no comando da escolha. O primeiro duelo foi entre as Helenas: “Por amor” venceu “Laços de família”. Depois veio o embate rural, com “O rei do gado” levando a melhor sobre “Renascer”. Agora, a partir de outubro, Walcyr Carrasco está no centro da disputa com “Chocolate com pimenta” e “O cravo e a rosa”.
São grandes histórias, ninguém discute. O problema é justamente esse: são tão grandes que já tiveram espaço demais.
As duas já passaram pelo antigo Viva e diversas vezes no “Vale a pena ver de novo”. Enquanto isso, títulos da primeira década dos anos 2000 continuam esperando na fila, quase como figurantes esquecidos.
Onde estão “Esplendor”, “Uga uga”, “A lua me disse” e “Um anjo caiu do céu”? Produções que carregam autores, atores, personagens e trilhas sonoras capazes de acionar uma memória afetiva instantânea, mas que permanecem longe da tela.
É claro que nostalgia também é negócio. Uma emissora sabe quais tramas possuem maior potencial de audiência, repercussão e identificação. Mas um canal criado para celebrar a televisão poderia se permitir um pouco mais.
Afinal, resgatar não deveria significar apenas repetir aquilo que já provou funcionar.