Conforme registros capturados pela Polícia Federal, a lobista, Roberta Luchsinger, declarou ao Fábio Luís da Silva, primogênito do chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva, que o destino final da dupla seria “a Suíça”. O registro, datado de 22 de março de 2024, expõe o diálogo entre eles sobre encontros com integrantes do governo federal e de negócios. As informações são do Poder360.
Na mesma conversa, o filho do mandatário relata ter marcado presença em encontros com Marco Aurélio Santana Ribeiro (o "Marcola"), antigo chefe de gabinete presencial, e com Swedenberger Barbosa (o "Berger"), que exerceu o cargo de número dois na pasta da Saúde.
A atuação de Berger encontra-se sob escrutínio policial devido a indícios de facilitação de acessos na referida pasta em benefício do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes (o "Careca do INSS"), cujo intento era formalizar um acordo comercial para distribuição de produtos à base de cannabis na rede pública de saúde. Conforme os levantamentos dos investigadores, Roberta teria sido beneficiada com R$ 1,5 milhão repassados por Antunes. Em um dos envios financeiros, o empresário sinalizou a um terceiro que a verba seria endereçada ao “filho do rapaz”, menção que as autoridades associam a Lulinha.
O material apreendido traz ainda menções a “Fernando” e “Fefe”, códigos atribuídos pela apuração a Fernando Bittar, ex-parceiro comercial de Fábio Luís e coproprietário do imóvel em Atibaia (SP). Nas conversas, a interlocutora relata que Bittar buscava projetar a influência da figura do filho do presidente na tentativa de viabilizar transações junto à Telebras. Ao ser questionado por Lulinha se tal associação havia sido rebatida, Roberta assegurou ter orientado terceiros de que paralisaria qualquer tratativa caso Bittar integrasse os planos na estatal.
Roberta: “Nosso nível tá outro Nosso futuro é Suíça Poucos negócio é bom Esse povo aqui tá em outra vibe”
Lulinha: “Isso... deixa eles... trabalho pra caralho e nunca da em nada”
Roberta: “Decepção tá”
Lulinha: “É que o Fernando abusa.... Todo dia tem um pedido novo pra ele... todo santo dia..... Ele parou de atender ZP e Fernando”
Roberta: “Marcola não quer Ele tá incomodado I falou pra gente almoçar com Berger e ele sem Fefe Pq ele não quer mesmo”
Lulinha: “Isso.... Ja é o terceiro almoço que eu tenho com ele e ele pede pra ser só entre nós”.
Estas novas apurações complementam vazamentos prévios reportados pelo veículo Poder360 em maio de 2026. Naquela ocasião, foram veiculados trechos em que a dupla debatia estratégias e jurisdições ideais para movimentar e armazenar ativos longe da fiscalização dos órgãos tributários nacionais.
Dentre os destinos aventados constava Luxemburgo, principado europeu renomado por suas garantias de sigilo bancário. Segundo informações obtidas pelo Poder360, a lobista garantiu ao parceiro que a jurisdição oferecia a discrição necessária para tais trâmites.
A verificação desse fluxo de dados ocorreu após a extração de mídias físicas apreendidas pelas forças policiais no âmbito da Operação Sem Desconto, focada em desarticular esquemas de fraudes no instituto previdenciário. O conteúdo sinalizou habitualidade na gestão de negócios de grande porte e no planejamento de rotas financeiras.
Os registros obtidos antecedentemente integram o acervo de provas que atesta a forte ligação e a rotina de contatos entre os dois investigados, acervo este já sob custódia da Justiça antes do surgimento das novas evidências.
Em posicionamento enviado ao Poder360, o corpo jurídico responsável pela representação de Fábio Luís da Silva informou que abstém-se de tecer comentários sobre “fragmentos de informações sigilosas indevidamente divulgadas fora de seu contexto original”. O patrono da causa salientou que a exposição seletiva dos autos descumpre o sigilo judicial estabelecido (com base no art. 325 do Código Penal) e busca unicamente fabricar “narrativas distorcidas da realidade”. Por fim, os advogados pontuaram que prestarão os devidos esclarecimentos diretamente no processo formal, tão logo seja concedido o acesso irrestrito ao acervo das quebras de sigilo efetuadas.