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“Hoje, até Lula me pediria para permanecer no Senado”, afirma Marina Silva
Após atuação política e recente passagem pelo Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede) projeta seu retorno ao Legislativo, agora concorrendo a uma vaga no Senado por São Paulo
17/08/2026 14h07
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: VEJA
Reprodução: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Após atuação política e recente passagem pelo Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede) projeta seu retorno ao Legislativo, agora concorrendo a uma vaga no Senado por São Paulo. Em entrevista à VEJA, garantiu: “Eu vou exercer o mandato de senadora”. Para ela, a arena legislativa tornou-se o ponto central da disputa ambiental, especialmente em caso de nova gestão do Executivo federal: “O presidente Lula, se for reeleito, com certeza vai me pedir para ficar no Senado, porque o risco da agenda ambiental hoje está no Congresso”.

A ex-ministra adverte para recentes retrocessos normativos aprovados pelos parlamentares, destacando a proibição da destruição de maquinários apreendidos em fiscalizações: “Foi o Congresso que mudou a legislação que permitia que se queimassem os equipamentos criminosos de dragagem, correntões, tratores, retroescavadeiras, cavadeiras, que destroem a Amazônia e fazem garimpo ilegal em áreas remotas”. Ela ressalta a ineficácia de apreensões sem o descarte sumário do maquinário: “Você faz uma ação de fiscalização, quando vira as costas, se esses equipamentos ficam lá em uma área remota, eles voltam a cometer o crime”.

Outro ponto crítico é o afrouxamento das regras de licenciamento ambiental, ato que classifica como “uma verdadeira demolição do que protege de fato o meio ambiente”, assegurando: “Se eu fosse senadora, o licenciamento ambiental não teria passado da forma como passou”.

Gestão no Executivo e Legado

Rebatendo críticas sobre ter deixado a Câmara para assumir o ministério, Marina avalia que a ida ao governo elevou a relevância das metas ecológicas: ‘Ir para o ministério foi levar as nossas pautas para o primeiro plano’. Sobre as ações desenvolvidas na pasta e os repasses a São Paulo, pondera: “Geralmente, ao contrário, não é que fica em segundo plano, vai para o primeiro plano”.

Segura de ter reestruturado a pasta após o período anterior, vê com bons olhos a condução por João Paulo Capobianco, ressalvando a prerrogativa presidencial: “Eu fui ministra pela terceira vez porque era um desafio enorme e eu tinha certeza de que precisava estar lá com o presidente Lula”. Ela acrescenta: “Nós temos quadros excelentes, inclusive o ministro João Paulo Capobianco”, porém conclui: “Mas essa decisão é do presidente.”

A aliança com o presidente segue sólida, destacando ações no combate aos incêndios florestais: “Foi o presidente Lula que ajudou e está ajudando na implementação do manejo integrado do fogo”. Contudo, reforça que sua contribuição mais relevante será no parlamento: “Logo à frente do apoio à agenda ambiental e de suporte para o presidente está o Senado da República”.

Propostas para São Paulo e Independência Partidária

Visualizando o papel estratégico de São Paulo no cenário nacional, Silva declara: “São Paulo é um estado que define, com certeza, os rumos do Brasil” —, Marina advoga por uma transição energética e investimentos em tecnologia verde. Em contrapartida, critica os rumos da atual gestão paulista e sua aliança com correntes externas: “Tudo isso fica muito difícil com uma visão que, em vez de colocar o chapéu de São Paulo, coloca o chapéu do MAGA, o chapéu do Trump”.

Apesar de ter recebido convites de diversas legendas, optou por continuar na Rede Sustentabilidade, justificando: “O meu cálculo não é pragmático. É um cálculo programático”. Do mesmo modo, descarta disputar novamente o Executivo federal: “Não faz parte mais do meu projeto a Presidência da República”.

Atuação Institucional e Soberania

Prevendo embates acirrados no Senado com a ala bolsonarista, Marina sinaliza que sua atuação se balizará pelos parâmetros constitucionais: “Os poderes são independentes”, pontuando que “É preciso salvaguardar a independência e a autonomia dos poderes e não permitir qualquer tipo de retrocesso”. Para a ex-ministra, os limites da convivência democrática estão delineados na norma jurídica: “Para quem é democrata, quando você tem uma força política que não tem uma visão democrática, a base de qualquer coisa são as leis, a Constituição Federal. Os poderes são independentes”.

Ela critica duramente o alinhamento de alas da oposição com medidas tarifárias norte-americanas, classificando-o como prejudicial à economia paulista e à soberania: “Não é justo que alguém que tem um país soberano, conquistado de toda uma luta histórica para deixarmos de ser colônia e ser um país soberano, tenha uma visão entreguista do nosso país, da nossa soberania”.

Ao defender uma visão abrangente do desenvolvimento sustentável, resumiu: “A agenda da sustentabilidade é uma agenda generosa”, complementando que “Ela não é de esquerda, não é de direita, não é de centro. É uma agenda de seres humanos que sabem que a gente precisa mudar. ”

Marina conclui sua plataforma assegurando que cumprirá integralmente o mandato de oito anos no Congresso, sem intenção de retornar ao Ministério do Meio Ambiente.