Na noite dessa última segunda-feira (17), o Brasil se despediu de um dos pilares mais sólidos e respeitados de sua dramaturgia. Laurinda de Jesus Cardoso Baleroni, conhecida e consagrada nacionalmente como Laura Cardoso, faleceu aos 98 anos, deixando um legado inestimável que se mescla com a própria história da comunicação e do entretenimento no país.
A trajetória de Laura começou no final da década de 1940, quando deu seus primeiros passos no radioteatro. Com uma voz marcante e presença cênica incomparável, não demorou para fazer a transição para a televisão, tornando-se pioneira nas primeiras produções da TV Tupi.
Ao longo de mais de sete décadas de carreira dedicada à atuação, a atriz construiu uma filmografia e videografia invejáveis:
Pioneirismo no Telenovelas: Participou de dezenas de produções históricas, marcando época em tramas como Mulheres de Areia (1993), A Viagem (1994), Salsa e Merengue (1996), Caminho das Índias (2009) e O Outro Lado do Paraíso (2017).
Versatilidade Cênica: Com extrema facilidade para transitar entre o cômico e o dramático, deu vida tanto a mães e avós amorosas quanto a vilãs e personagens complexas e densas.
Presença no Cinema e Teatro: No cinema, abrilhantou produções como Terra Estrangeira (1995) e Copacabana (2001), além de manter uma relação duradoura com os palcos paulistas e cariocas.
Sua dedicação rigorosa ao ofício rendeu a Laura Cardoso o título informal, e amplamente aceito, de "Dama da Dramaturgia Brasileira". Entre as inúmeras honrarias recebidas ao longo dos anos, destacam-se:
| Categoria / Reconhecimento | Destaque |
| Prêmio Grande Otelo | Reconhecimento da Academia Brasileira de Cinema pelo conjunto da obra e atuações de destaque. |
| Prêmio APCA | Múltiplas vitórias da Associação Paulista de Críticos de Arte ao longo das décadas. |
| Ordem do Mérito Cultural | Condecorada pelo Governo Federal por sua contribuição imensurável à cultura nacional. |
Mais do que uma grande atriz, Laura Cardoso representou a evolução da arte de atuar no Brasil. Sua disciplina cênica, naturalidade diante das câmeras e paixão declarada pela profissão até seus últimos anos de vida servem de escola e referência para diversas gerações de atores.
Sua partida em agosto de 2026 encerra um capítulo fundamental da história da televisão e do teatro nacional, mas sua vasta obra permanece viva na memória cultural do país.