O candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, afirmou nesta quarta-feira (19) que concederia indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A declaração ocorreu durante sabatina promovida pelo SBT News com os principais candidatos ao Palácio do Planalto.
Na avaliação de Zema, o julgamento de Bolsonaro foi conduzido por um tribunal de caráter político. O candidato defendeu a realização de um novo julgamento e voltou a criticar a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
“No mínimo, um novo tribunal nós precisamos fazer. Quem julgou lá? Foram os ministros do Supremo que não gostam dele e sempre o perseguiram", criticou.
Zema também minimizou os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 e afirmou que não considera que tenha ocorrido uma tentativa de golpe de Estado. Para ele, os envolvidos deveriam responder pelos atos de vandalismo e depredação ocorridos na Praça dos Três Poderes.
“Teve tiro? Teve derramamento de sangue? Não vi. Na história da humanidade, nunca houve uma tentativa de golpe semelhante àquela”, avaliou.
Durante a sabatina, Zema também apresentou propostas para alterar os critérios de escolha e atuação dos ministros do STF. Entre as ideias, citou uma idade mínima de 60 anos para integrantes da Corte, além da exigência de uma carreira jurídica ou acadêmica considerada “intocável”.
“Eu proponho, para o STF, idade mínima de 60 anos. Para ser indicado, é preciso ter uma carreira intocável no setor jurídico ou acadêmico. O STF não pode ter decisões monocráticas. Frutas podres estão prestando um desserviço no STF”, declarou.
O candidato ainda defendeu a privatização da Petrobras e o fim do que considera um monopólio da empresa no setor de combustíveis. Segundo Zema, a ampliação da concorrência poderia reduzir os preços para os consumidores.
“Eu quero fatiar a Petrobras para ter concorrência. Isso vai fazer o preço cair e não vai dar monopólio para ninguém. Eu venho de um setor supercompetitivo, o varejo, então sei que a concorrência é boa. Quero mais concorrência, e não um monopólio como existe hoje”, afirmou.
Na área de segurança pública, Zema afirmou que pretende ampliar a cooperação com outros países, incluindo os Estados Unidos, no combate às facções criminosas. O candidato disse que aceitaria, por exemplo, o compartilhamento de imagens de satélite para auxiliar as forças brasileiras.
“Cooperação com outros países para combater as facções criminosas que eu considero terroristas, nós vamos fazer, sim. Se os Estados Unidos puderem mandar imagens de satélite para a gente ver onde eles estão dominando, instalando barricadas, eu também quero”, afirmou.
Zema também colocou uma aproximação com os Estados Unidos entre suas prioridades, citando a importância do mercado americano para empresas brasileiras. “Tem muita gente com empresas fechadas porque depende dos Estados Unidos. Cliente bom são os Estados Unidos, que são um dos nossos principais parceiros. É preciso tratar bem”, disse.
Ao falar sobre sua gestão em Minas Gerais, o candidato minimizou o crescimento da dívida do estado com a União e afirmou que seu principal legado teria sido recuperar a capacidade de pagamento. Segundo ele, o planejamento deixado ao fim do mandato prevê a quitação do débito ao longo de 30 anos por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
“Vamos dizer que alguém tem uma dívida de R$ 5 mil. Se essa pessoa ganha R$ 2 mil por mês, essa dívida talvez seja elevada para ela. Mas se essa pessoa ganha R$ 30 mil, essa dívida é bastante pagável. O que aconteceu em Minas no meu governo foi que nós criamos o ambiente para a maior atração de investimentos e geração de emprego que fizeram, inclusive, com que a arrecadação do Estado crescesse", exemplificou.
Questionado sobre seu desempenho entre os eleitores mineiros, onde aparece atrás de nomes como Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, Zema afirmou que o cenário ainda pode mudar com o avanço da campanha eleitoral e o início da propaganda na televisão.
“Eleição é igual cardápio”, comparou o candidato, ao argumentar que muitos eleitores definem suas escolhas mais próximo da votação.
Zema também foi questionado sobre o desempenho de Ronaldo Caiado (PSD) em Goiás e aproveitou para ironizar o ex-governador. “Talvez o Caiado tenha tido um dinheiro para gastar em comunicação durante o governo dele que eu não tive, porque assumi um Estado quebrado pelo PT", afirmou.
O SBT e o SBT News iniciaram na segunda-feira (17) uma rodada de sabatinas com candidatos à Presidência da República. A programação reúne nomes que disputam a eleição e permite que os candidatos apresentem propostas e posicionamentos sobre diferentes temas nacionais.
Os participantes foram definidos previamente, enquanto a ordem das entrevistas foi estabelecida por sorteio. A rodada começou com Renan Santos, do Missão, seguido por Augusto Cury, do Avante, e segue até sábado (22), com um candidato entrevistado por dia.