O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, ordenou que a Polícia Federal (PF) apure a divulgação indevida de informações sob segredo de justiça que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A determinação atende a uma solicitação do corpo jurídico de Lulinha e estende o escopo de uma investigação em andamento sobre a quebra de sigilo do caso.
Em seu despacho, Mendonça mencionou matérias veiculadas pelo portal Metrópoles, na coluna do jornalista Tácio Lorran, que trouxeram a público dados confidenciais sobre a suposta participação de Lulinha nas apurações. O magistrado incumbiu a PF de mapear os agentes públicos que detinham acesso primário aos documentos e que possam ter repassado o conteúdo aos meios de comunicação. O ministro ressalvou, contudo, a imunidade da imprensa, garantindo expressamente o sigilo de fonte e descartando qualquer apuração contra profissionais do jornalismo.
A intervenção judicial ocorreu após a equipe jurídica de Lulinha reportar ao STF o vazamento de peças restritas. Na visão de Mendonça, há uma vinculação direta entre as revelações jornalísticas recentes e o inquérito aberto pela corporação em fevereiro de 2026, focado na exposição de conteúdos restritos da Operação Sem Desconto, ação que investiga um esquema de fraudes no INSS.
“Portanto, o procedimento apuratório acima referido parte de hipótese investigativa centrada na eventual identificação daqueles que teriam o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram, e não daqueles que, no legítimo exercício da fundamental profissão jornalística, obtiveram o acesso indireto às informações que, pela sua natureza íntima, não deveriam ter sido publicizadas”, pontuou o magistrado em trecho do texto. Com o despacho, a PF deve anexar os novos relatos trazidos pelos advogados ao procedimento já instaurado.
As matérias apontadas no despacho de quinta-feira (20) abordavam conversas registradas pelos investigadores entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger sobre transações comerciais, além de orientações do empresário para a cobrança de um agente econômico sob escrutínio da PF. Os peritos deverão determinar a autoria do repasse dessas informações protegidas por segredo.
Outros procedimentos judiciais citados:
Ministério da Saúde: Investigação sobre eventual tráfico de influência e corrupção em trâmites para liberação comercial de cannabis medicinal, sob condução autorizada pelo ministro André Mendonça.
Dataprev: Apuração de suposta atuação conjunta entre um empresário de tecnologia, Lulinha, o intermediário conhecido como “Careca do INSS” e Roberta Luchsinger na busca por contratos públicos, também instaurada por André Mendonça.
3Structure It: Processo que apura o alegado uso do nome do chefe do Executivo para beneficiar empreendimentos parceiros do filho do presidente, sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Vazamento de dados: Procedimento no qual Lulinha figura na condição de prejudicado devido à divulgação não autorizada de informações sigilosas da CPI do INSS, também supervisionado por Flávio Dino.