Notícias Entenda o caso
Petição pede reabertura do caso Nardoni com novas testemunhas
O pedido defende uma tese inédita para a tragédia: a de que Antônio Nardoni, avô da vítima, seria o verdadeiro mandante do homicídio
24/08/2026 10h46
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Metrópoles
Reprodução: Redes Sociais

Uma reviravolta pode reabrir um dos processos penais de maior repercussão no país. A coluna Fábia Oliveira obteve acesso a um requerimento enviado ao Ministério Público paulista, em 20 de agosto de 2026, solicitando a retomada das apurações acerca do falecimento de Isabella Nardoni, ocorrido em março de 2008.

O pedido, assinado pelo jurista Francisco Angelo Carbone Sobrinho em nome da Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ SP, chefiada pelo ativista Agripino Magalhães, defende uma tese inédita para a tragédia: a de que Antônio Nardoni, avô da vítima, seria o verdadeiro mandante do homicídio. O documento pleiteia a abertura de procedimento investigatório para apurar indícios de assassinato, fraude no processo e suborno. O pedido se sustenta em depoimentos de três testemunhas que, segundo a representação, teriam detalhes nunca revelados sobre os bastidores da ocorrência e o período de reclusão de Ana Carolina Jatobá.

Depoimentos citados na solicitação

A primeira testemunha apontada seria uma agente penitenciária. Conforme a narrativa entregue ao Ministério Público, ela teria presenciado Ana Carolina Jatobá declarar, diante de outros servidores, que Antônio Nardoni encomendou o crime. No relato, Jatobá teria afirmado ser inocente em relação ao óbito de Isabella, embora tenha reconhecido ter agredido a garota. Ela teria negado, contudo, ter sido a responsável por arremessá-la da janela do apartamento. Uma segunda inspetora penal também teria testemunhado relatos similares, mas demonstraria receio de sofrer sanções na carreira caso preste depoimento. A terceira pessoa indicada seria uma antiga secretária de banca advocatícia, a qual teria revelado que um jurista recusou a defesa dos acusados na época devido à gravidade do caso.

Alegações de privilégios na prisão

O requerimento também formula denúncias sobre o período de reclusão de Jatobá. A petição sustenta que a direção do presídio feminino teria recebido vantagens para conceder tratamento diferenciado à detenta em troca da manutenção do seu silêncio sobre o autor intelectual do crime. O texto aponta ainda que Antônio Nardoni transitava livremente pelo estabelecimento prisional e que teria ocorrido facilitação para que a condenada obtivesse trabalho remunerado, acelerando sua ida para o regime aberto.

Suposta coerção contra servidora

Outro aspecto levado ao Órgão Acusador trata da agente prisional que teria buscado denunciar o esquema. De acordo com o documento, a funcionária teria sofrido intimidações, sendo submetida a acompanhamento psiquiátrico compulsório e sedação forçada, além de ter sido induzida a assinar termos sem prévia leitura.

Diante desse cenário, a defesa pede garantias de segurança para as testemunhas, argumentando o risco decorrente do poder financeiro e da influência atribuídos a Antônio Nardoni.

Requerimentos encaminhados ao Órgão Ministerial

Entre os pedidos formulados estão o desarquivamento ou instauração de novo inquérito, a tomada de depoimentos de ex-detentas, inspetores penitenciários e demais pessoas com conhecimento dos fatos, além da concessão de proteção às testemunhas.

Cabe ressaltar que os fatos descritos integram alegações de uma petição encaminhada ao Ministério Público e dependem de verificação. O documento consiste em uma solicitação de apuração, não se tratando de denúncia recebida pela Justiça, condenação ou conclusão oficial referente ao envolvimento de Antônio Nardoni no episódio. A tese apresentada também não modifica, por si só, o trânsito em julgado nem as decisões judiciais em vigor.