Na última segunda-feira (24), a primeira-dama Rosângela da Silva, popularmente conhecida como Janja, manifestou repúdio às falas proferidas por Renan Santos, postulante ao Palácio do Planalto pelo partido Missão, ao longo do primeiro encontro entre presidenciáveis organizado pela Band em colaboração com o jornal O Estado de S. Paulo. O político citou o nome da esposa do chefe do Executivo em duas ocasiões distintas enquanto reprovava a ausência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no evento.
“O Lula, coitado, tem que ficar lá com aquela Janja. Era mais certo ter vindo no debate, teria companhias melhores”, disparou o candidato.
Em outro trecho da transmissão, ele continuou as investidas:
“Lula até desistiu de apresentar proposta. Ele não está nem com saco, porque a maior parte do tempo ou ele está bêbado ou com a Janja, melhor ficar bêbado nessas horas, né, presidente?”.
Em nota formal, a socióloga classificou a investida de Renan como um ataque de cunho “pessoal e depreciativo”, sustentando que tais inserções ultrapassam o debate político legítimo e funcionam como “uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher”.
“Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de 'pena' está longe de ser uma crítica política. É mais uma maneira de deslegitimar e ridicarbonizar a figura da mulher, como ferramenta misógina para atacar um adversário político”, pontuou Janja.
A companheira do presidente recordou que “não é candidata, não estava presente para se defender e não tinha qualquer relação com o tema em discussão”, ressaltando que o episódio reflete um histórico recorrente de posturas do adversário:
“Renan Santos já esteve envolvido em declarações de violência contra as mulheres e incitou dezenas de homens a cometerem um estupro coletivo. É possível visualizar um padrão de falas que normalizam o desrespeito às mulheres”.
Por fim, a primeira-dama frisou que o ambiente democrático dos debates deve priorizar o confronto de ideias: “Não é lugar para expor, debochar ou intimidar uma mulher, principalmente uma que nem candidata é”.
Em resposta às críticas, Renan Santos publicou um vídeo nas redes sociais argumentando que, em um Estado democrático, “não deve ser errado apontar que pessoas assim são ruins, sejam elas homens ou mulheres”, acusando a primeira-dama de acionar o rótulo de “misoginia” para blindar-se de questionamentos públicos.
“Janja não quer que você tenha direito sequer de criticá-la. A mesma estratégia que ela usou contra mim nessa nota, ela utilizou contra todos os brasileiros e brasileiras que criticaram o fato de ela torrar o nosso dinheiro em viagens internacionais. Ela disse que isso tudo é misoginia”, disse em seu perfil.
O político também rotulou a esposa de Lula como uma “espécie de rainha louca” e “deslumbrada”, finalizando com uma provocação: se ela se ofendeu, que incentive o titular da cadeira presidencial a comparecer aos próximos encontros televisivos para “defender a honra dele e vai poder explicar para mim porque você é uma boa companhia”.
Vale destacar que, além de Lula, os postulantes Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) também optaram por não comparecer ao evento promovido pela emissora paulista.