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Junior revela crises de pânico após pressão pela perfeição e exposição desde cedo
Segundo o cantor, a tentativa permanente de agradar e ser aceito acabou provocando uma sensação de vazio
25/08/2026 13h48
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Metrópoles
Reprodução: Celso Tavares / g1

Junior Lima voltou a falar sobre uma fase difícil de sua vida e revelou ter enfrentado crises de pânico entre os 20 e 30 anos. Artista desde a infância, quando iniciou a carreira ao lado da irmã, Sandy, ele contou que a exposição constante e a pressão para corresponder às expectativas do público afetaram sua autoestima e sua percepção sobre quem realmente era.

Segundo o cantor, a tentativa permanente de agradar e ser aceito acabou provocando uma sensação de vazio. “Em um determinado momento, comecei a me sentir vazio porque estava sempre tentando atender às expectativas dos outros porque tinha muita necessidade de ser aceito”, relatou à coluna Fábia Oliveira.

Para a psiquiatra, Jessica Martani, a busca excessiva por aprovação pode manter a pessoa em constante estado de alerta e favorecer ansiedade, esgotamento e crises de pânico. A especialista ressalta ao Metrópoles que o problema surge quando a perfeição passa a ser vista como condição para receber aceitação.

Junior também destacou o impacto de ter crescido sob os holofotes. Desde cedo, precisou lidar com a necessidade de manter uma determinada postura diante do público. “Crescer diante dos olhos das pessoas e tendo que ser simpático, se comunicar bem, mas, às vezes, você está sendo só um moleque adolescente, então, essa necessidade de performar me deu uma esvaziada”, comentou à colunista.

Embora sua experiência tenha começado antes da popularização das redes sociais, especialistas apontam que a internet ampliou essa pressão. A psicóloga Jhoanne Hansen explica ao Metrópoles que as plataformas podem oferecer apoio e conexão, mas também incentivar comparações e a necessidade de aparentar uma vida perfeita.

“As redes sociais podem trazer ganhos e prejuízos nesse processo, depende da relação e hábitos que se tem com essas plataformas. É ali que a pessoa pode resgatar vínculos e ter trocas que a façam se sentir nutrida e fortalecida para seguir adiante. As redes sociais viabilizam o acesso a um grande público, e isso pode ser traduzido em carinho e afeto, ainda que virtualmente”, analisou.

Para Martani, a saúde emocional pode ser comprometida quando a identidade passa a depender exclusivamente de desempenho e reconhecimento externo. “A saúde mental começa a ser prejudicada quando a pessoa passa a acreditar que o seu valor depende exclusivamente do que entrega ou da aprovação que recebe. Reconstruir essa relação consigo mesma envolve reconhecer limites, aceitar imperfeições e entender que não é preciso estar o tempo inteiro performando para merecer afeto, respeito e pertencimento”, afirmou.

Ao longo desse processo, Junior contou que buscou se desconstruir e redescobrir sua identidade para além da imagem construída pelo público. Terapia, autoconhecimento e mudanças pessoais fizeram parte dessa transformação.

“A perfeição é uma expectativa impossível de sustentar o tempo inteiro. Quando a pessoa entende que pode errar, mudar de opinião, descansar e não corresponder às expectativas de todos, ela começa a construir uma autoestima menos dependente da aprovação externa”, explicou Martani.

Especialistas reforçam ainda que crises de pânico e sintomas de ansiedade que se tornam frequentes ou interferem na rotina merecem atenção profissional. O acompanhamento psicológico e psiquiátrico pode ajudar a identificar os fatores envolvidos e buscar formas adequadas de cuidado.