No dia de ontem (21), o Brasil foi impactado negativamente com a notícia de que a cantora Lexa, que está grávida de seis meses, havia sido internada em um hospital de São Paulo às pressas e em estado grave.
Logo em seguida, o diagnóstico saiu: eclâmpsia, uma uma complicação grave da gravidez que se caracteriza por convulsões. No caso de Lexa, a doença se manifestou de forma ‘pré-eclâmpsia’, com sintomas de hipertensão arterial e proteína na urina.
A doença pode pôr em risco a vida da mãe e do feto e com o diagnóstico, o bebê de Lexa tem apenas 25% de chances de sobreviver. Em relação a cantora, ela parece estar consciente. No dia de ontem, inclusive, Lexa informou aos seus seguidores que desistiu de desfilar pela Unidos da Tijuca, no Carnaval do Rio de Janeiro, devido a delicadeza de seu estado.
Conversamos com obstetra e ginecologista Carol Curci e tiramos todas as dúvidas sobre a doença.
O que é pré-eclâmpsia
A pré-eclâmpsia é caracterizada pelo aumento da pressão arterial e pode evoluir para quadros graves caso não seja tratada adequadamente. “A cada ano, entre 70 a 80 mil mulheres perdem suas vidas devido a essa condição, segundo a OMS. Além disso, a pré-eclâmpsia é responsável por até 15% das mortes maternas globalmente, podendo também contribuir para até 500 mil mortes fetais”, explica a médica.
Sintomas e riscos
Os sintomas da pré-eclâmpsia podem incluir dores de cabeça intensas, alterações na visão (como fotofobia ou visão turva), dores abdominais, inchaço excessivo, ganho de peso repentino e até confusão mental. Dra. Carol ressalta que essas alterações podem ter impactos devastadores: “A pressão alta pode levar a complicações graves como hemorragia cerebral, insuficiência renal, descolamento prematuro da placenta e restrição do crescimento intrauterino”.
Fatores de risco
A ginecologista aponta que há fatores de risco que aumentam a chance de uma mulher desenvolver pré-eclâmpsia. Entre eles estão a primeira gestação, idade materna acima de 40 anos ou abaixo de 18, histórico de pressão alta, diabetes gestacional, obesidade, gestação múltipla e intervalos curtos entre gestações.
“A identificação precoce desses fatores é fundamental. Gestantes com maior risco podem começar um tratamento preventivo, como o uso de ácido acetilsalicílico em baixas doses antes das 16 semanas de gravidez, reduzindo significativamente as chances de desenvolver a condição”, orienta Dra. Carol.
A experiência de Lexa como um alerta
A situação vivida por Lexa serve como um alerta sobre a necessidade de acompanhamento médico rigoroso durante a gravidez. A cantora, que precisou ser internada aos seis meses de gestação, destacou em suas redes sociais a importância de priorizar a saúde nesse momento delicado. “Infelizmente, muitas mulheres não têm acesso ao diagnóstico precoce ou ao tratamento adequado, o que agrava ainda mais o quadro”, observa Dra. Carol.
Diagnóstico e manejo
Segundo a ginecologista, o diagnóstico de pré-eclâmpsia é feito por meio de medições frequentes da pressão arterial e de exames laboratoriais que identificam alterações como a presença de proteínas na urina. “Com o manejo adequado, como controle da pressão arterial e monitoramento do bebê por ultrassonografias, é possível prevenir complicações graves”, explica.
A importância da conscientização
Lexa se junta a muitas outras mulheres ao trazer à tona a importância de falar sobre a pré-eclâmpsia. Para Dra. Carol, a conscientização é um passo essencial na redução de mortes maternas e fetais: “Com medidas preventivas, diagnóstico precoce e acompanhamento de perto, podemos salvar vidas e garantir desfechos mais positivos para mães e bebês”.
O relato de Lexa e as informações compartilhadas por especialistas como a Dra. Carol reforçam a necessidade de um pré-natal completo e acessível para todas as gestantes. A saúde materna deve ser uma prioridade em qualquer sociedade, e histórias como essa servem como um poderoso lembrete da força e da importância do cuidado com a vida.