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Disputa entre Mendonça e PF definirá rumos da eleição entre Lula e Flávio; entenda
Mais do que medir a popularidade de candidatos em cenário de alta rejeição, o ritmo e o desdobramento dessas apurações definirão o controle institucional da mais alta corte do país
27/08/2026 13h25
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: O Globo
Reprodução: Luiz Roberto/TSE

O embate mais determinante para o desfecho da corrida presidencial de 2026 tende a ser travado nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), com foco nos processos envolvendo os casos Dark Horse e Lulinha. Mais do que medir a popularidade de candidatos em cenário de alta rejeição, o ritmo e o desdobramento dessas apurações definirão o controle institucional da mais alta corte do país. As informações são da coluna Malu Gaspar, do jornal o Globo.

Uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva permitiria à ala capitaneada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes indicar sucessores para as vagas abertas por aposentadorias iminentes, além do posto de Luís Roberto Barroso, cuja transição segue travada após a derrota de Jorge Messias no plenário do Senado. Em contrapartida, um triunfo de Flávio Bolsonaro realinharia o eixo do tribunal para a direita, fortalecendo a órbita de influência do ministro André Mendonça, atual relator de inquéritos sensíveis como os do Banco Master e do INSS.

Sob essa disputa pelo controle político da corte, desenvolve-se um confronto direto pela preservação judicial de figuras centrais, materializado na tensão entre Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Enquanto o magistrado suspeita que o comando da corporação utilize o aparato para sabotar investigações, o chefe policial o acusa de manobrar os inquéritos com viés político para prejudicar o atual governo e beneficiar a oposição. O atrito escalou quando o ministro ordenou que dados brutos de quebras de sigilo fiscal e telemático ficassem sob custódia restrita em seu próprio gabinete, vetando o compartilhamento com a cúpula da PF e exigindo subordinação em eventuais trocas nas equipes de investigação.

O Estopim das Apurações e o Xadrez Institucional

A crise ganhou contornos agudos no final de junho, quando Mendonça exigiu a entrega de relatórios sobre o INSS que estavam estagnados. Foi a partir dessa movimentação que indícios de tráfico de influência ligando Lulinha e aliados deram origem aos três inquéritos que hoje pressionam o Palácio do Planalto. Diante disso, Andrei recorreu à Advocacia-Geral da União (AGU) para tentar derrubar as ordens do ministro, classificando-as como abusos de poder inconstitucionais passíveis de anular os processos. A manobra colocou em xeque o advogado-geral da União, Jorge Messias, aliado de Mendonça, que busca apaziguar a crise sem melindrar a chefia da polícia.

Críticos apontam dois pesos e duas medidas na condução das apurações. Embora a autonomia policial seja vital, episódios anteriores demonstraram intervenções de outros ministros do STF, a exemplo de Alexandre de Moraes na condução da trama golpista ou de Dias Toffoli em tentativas de bloquear acessos a dados do caso Master e de indicar peritos próprios. Naquela ocasião, mesmo com a entrega de um dossiê detalhado pela PF ao presidente da corte, Edson Fachin, o material acabou arquivado.

Vazamentos e o Fantasma da Anulação

O recente vazamento de informações sigilosas ligadas ao caso Lulinha intensificou as suspeitas de direcionamento político e instrumentalização da Justiça, ressuscitando o debate sobre os métodos da antiga Operação Lava-Jato e abrindo margem para que a defesa apegue-se a teses de nulidade processual.

Com os inquéritos de Dark Horse e Lulinha avançando inevitavelmente para além do período eleitoral, o verdadeiro objetivo de setores influentes passou a ser o controle de danos, buscando soterrar detalhes comprometedores do caso Master por meio das brechas jurídicas abertas no conflito entre a PF e o STF.