A Justiça de São Paulo negou mais um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Deolane Bezerra. Segundo informações do Uol, a decisão foi tomada em 21 de agosto pelo juiz Matheus Aquino Pirola Kruger e manteve a prisão preventiva da influenciadora e advogada, que está detida desde 21 de maio.
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, a manutenção da prisão seria necessária diante do risco de que novos crimes financeiros fossem cometidos. A defesa havia pedido a substituição da detenção por medidas cautelares ou prisão domiciliar, mas o entendimento foi de que, mesmo em casa, Deolane poderia continuar envolvida em práticas dessa natureza.
O Ministério Público de São Paulo também havia defendido a permanência da prisão. Em manifestação enviada à Justiça no dia 20 de agosto, o promotor Lincoln Gakiya afirmou que Deolane faria parte do núcleo financeiro do PCC e poderia voltar a cometer crimes caso fosse colocada em liberdade. A defesa já recorreu da decisão em segunda instância.
O advogado Aury Lopes Jr., que se manifestou ao UOL, contestou as acusações e classificou a prisão como “desnecessária, ilegal e desproporcional”. A legislação brasileira prevê que prisões preventivas sejam reavaliadas judicialmente a cada 90 dias.
A influenciadora virou ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro, em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo. Segundo a Justiça, a acusação é sustentada por dados extraídos de celulares, relatórios de inteligência financeira, informações do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro e análises de sigilos bancário e fiscal.
Ainda conforme o processo, a suposta organização teria utilizado uma empresa de fachada, a Transportadora Lado a Lado, para movimentar recursos provenientes de atividades criminosas. A acusação aponta que Deolane teria recebido valores considerados ilícitos por meio de sua conta bancária e também utilizado empresas ligadas a ela na movimentação do dinheiro.
Os investigadores também apontam movimentações financeiras de cerca de R$ 140 milhões atribuídas à advogada, valor considerado incompatível com as informações declaradas oficialmente. A denúncia cita ainda endereços inconsistentes, falta de estrutura física e vínculos com profissionais que prestavam serviços a empresas relacionadas a familiares de integrantes do PCC.
Além de Deolane, a Justiça manteve as prisões de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. Todos foram denunciados no âmbito da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à organização criminosa.
A defesa de Marcola e dos familiares também contestou a necessidade da prisão preventiva. Em nota, o advogado Bruno Ferullo afirmou: “A defesa respeita a decisão proferida, mas mantém o entendimento de que a prisão preventiva não se mostra necessária no caso e adotará as medidas recursais cabíveis para buscar a reforma da decisão”.