Eduardo Tagliaferro, ex-perito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), enfrenta um processo de extradição na Itália enquanto sua defesa questiona a legalidade e a existência da documentação que embasou sua prisão.
Uma reportagem do site A Investigação revelou que o mandado de prisão e a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) utilizados no pedido não constam no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) nem na cronologia oficial do Supremo. Diante disso, os advogados acionaram o Ministério da Justiça para rastrear a origem das peças e verificar se correspondem a arquivos originais ou se foram geradas exclusivamente para o exterior.
Em entrevista à Entrelinhas, Tagliaferro detalhou os bastidores de sua convivência e trabalho próximo ao magistrado, além de relatar suas impressões sobre o cenário político e judicial brasileiro:
Inconsistências processuais: O ex-perito afirma que buscou o mandado e o parecer da PGR em sistemas oficiais desde o início e nunca os encontrou. "Mostra que, provavelmente, é um documento que foi feito somente para ser usado aqui na Itália. Ou está em sigilo absoluto, que nem os advogados da defesa conseguem acessar."
Estratégia de exposição: Para Tagliaferro, o silêncio fragiliza os alvos do sistema, sendo essencial expor os casos publicamente para manter a segurança jurídica e pessoal no exterior. "O que eu sempre falo, o que eu indico a todos, é não ficarem calados."
Críticas ao STF e ao Congresso: Ele defende que o ministro deveria estar afastado de suas funções e aponta uma suposta omissão de parlamentares motivada pelo medo da inelegibilidade, o que resultaria em inércia em relação a pedidos de impeachment.
Eleições de 2022 e 8 de Janeiro: Segundo o ex-assessor, Moraes teria utilizado os atos de 8 de janeiro midiaticamente para pressionar a oposição e reforçar condenações. Ele também relembrou o clima no tribunal no primeiro turno de 2022, afirmando ter testemunhado comemorações internas após a confirmação dos resultados eleitorais. "A gente via que ele tinha receio de que Lula não fosse para o segundo turno", declarou.
Livro "Zero Medo": Tagliaferro lançou uma obra de 344 páginas reunindo sua trajetória no TSE, denúncias e um compilado de documentos que comprovariam irregularidades e perseguições atribuídas a Moraes.