A rodada de entrevistas com os presidenciáveis, que ocupou o horário nobre da Globo nesta semana, terminou deixando uma impressão incômoda: os problemas não estavam apenas do lado dos candidatos. Em diferentes momentos, entrevistadores e entrevistados demonstraram que estavam menos preparados do que a ocasião exigia.
Renata Vasconcellos oscilou entre a pressa e a insegurança, frequentemente sobrepondo sua voz à dos entrevistados numa tentativa de retomar o controle da situação. César Tralli, por sua vez, pareceu excessivamente preso às anotações e hesitou justamente quando se esperava dele mais pulso.
Do outro lado da bancada, os candidatos tampouco fizeram por merecer uma avaliação melhor. Lula chegou a dizer a Renata que esperava mais das perguntas feitas por ela. Já Flávio Bolsonaro aproveitou a deixa para provocar o petista, solidarizando-se com a jornalista. O excesso de gentileza soou mais como bajulação do que como estratégia política.
Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) também colecionaram tropeços. Respostas evasivas, argumentos mal costurados e dificuldades para desenvolver determinadas ideias expuseram fragilidades na defesa de suas propostas.
Muitos deles falaram mais dos adversários do que de si próprios, privando o eleitor de saber o que cada um pretende fazer caso chegue ao Palácio do Planalto. Faltaram planos concretos, números reais, prioridades e explicações sobre como determinadas promessas seriam colocadas em prática, assim como sobraram devaneios, como a utilização de drones para proteger mulheres de feminicídios e a ideia de que oferecer saneamento básico seria uma resposta para solucionar o aquecimento global.
No fim, ficou um retrato de despreparo coletivo. A Globo não conseguiu apresentar seu habitual padrão de qualidade e os candidatos, por muitas vezes, não conseguiram aproveitar a oportunidade para mostrar capacidade de governar o país.
Por isso, a escolha de Renata Lo Prete para um eventual segundo turno parece acertada. Ela é, entre os jornalistas da emissora que cobrem política, a profissional mais preparada para conduzir uma sabatina dessa dimensão. Tem domínio dos temas e, principalmente, experiência para confrontar respostas sem deixar que a entrevista se transforme em uma disputa de vozes.
O eleitor agradece...