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César Tralli e Renata Vasconcellos têm desempenho irregular nas sabatinas presidenciais
Entrevistas no horário nobre da Globo também evidenciaram tropeços dos candidatos, que priorizaram ataques aos adversários em vez de apresentar propostas consistentes.
30/08/2026 14h17 Atualizada há 2 horas
Por: Flávio Melo
Foto: Ricardo Stuckert

A rodada de entrevistas com os presidenciáveis, que ocupou o horário nobre da Globo nesta semana, terminou deixando uma impressão incômoda: os problemas não estavam apenas do lado dos candidatos. Em diferentes momentos, entrevistadores e entrevistados demonstraram que estavam menos preparados do que a ocasião exigia.

Renata Vasconcellos oscilou entre a pressa e a insegurança, frequentemente sobrepondo sua voz à dos entrevistados numa tentativa de retomar o controle da situação. César Tralli, por sua vez, pareceu excessivamente preso às anotações e hesitou justamente quando se esperava dele mais pulso.

Do outro lado da bancada, os candidatos tampouco fizeram por merecer uma avaliação melhor. Lula chegou a dizer a Renata que esperava mais das perguntas feitas por ela. Já Flávio Bolsonaro aproveitou a deixa para provocar o petista, solidarizando-se com a jornalista. O excesso de gentileza soou mais como bajulação do que como estratégia política.

Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) também colecionaram tropeços. Respostas evasivas, argumentos mal costurados e dificuldades para desenvolver determinadas ideias expuseram fragilidades na defesa de suas propostas.

Muitos deles falaram mais dos adversários do que de si próprios, privando o eleitor de saber o que cada um pretende fazer caso chegue ao Palácio do Planalto. Faltaram planos concretos, números reais, prioridades e explicações sobre como determinadas promessas seriam colocadas em prática, assim como sobraram devaneios, como a utilização de drones para proteger mulheres de feminicídios e a ideia de que oferecer saneamento básico seria uma resposta para solucionar o aquecimento global.

No fim, ficou um retrato de despreparo coletivo. A Globo não conseguiu apresentar seu habitual padrão de qualidade e os candidatos, por muitas vezes, não conseguiram aproveitar a oportunidade para mostrar capacidade de governar o país.

Por isso, a escolha de Renata Lo Prete para um eventual segundo turno parece acertada. Ela é, entre os jornalistas da emissora que cobrem política, a profissional mais preparada para conduzir uma sabatina dessa dimensão. Tem domínio dos temas e, principalmente, experiência para confrontar respostas sem deixar que a entrevista se transforme em uma disputa de vozes.

O eleitor agradece...