A empresária e lobista Roberta Luchsinger voltou ao centro das atenções após uma reportagem do "Fantástico" mostrar diferentes processos judiciais relacionados a dívidas em São Paulo e Minas Gerais. As cobranças envolvem situações que vão desde aluguel e mensalidades escolares até serviços prestados, publicidade e direitos trabalhistas.
Entre os casos apresentados está uma dívida relacionada a um apartamento de alto padrão em São Paulo, onde Roberta teria permanecido entre 2019 e 2023. Os débitos de aluguel, condomínio e IPTU chegaram a aproximadamente R$ 500 mil e, segundo a reportagem, foram quitados em maio de 2024.
Outro processo envolve um tapeceiro contratado para realizar serviços avaliados em R$ 61 mil. De acordo com o profissional, apenas parte do valor teria sido paga. A cobrança se arrastou por anos e chegou a instâncias superiores da Justiça.
A empresária também aparece em um caso relacionado a um projeto de filme sobre o designer Horacio Pagani. Um avalista de um empréstimo para a produção afirmou ter perdido uma fazenda dada como garantia após o financiamento não ser quitado. Roberta, por sua vez, disse que também foi enganada pelo investidor e que o avalista conhecia os riscos da operação.
Além das disputas judiciais, Roberta é citada em investigações da Polícia Federal relacionadas à Operação Sem Desconto. A apuração envolve suspeitas de corrupção e tráfico de influência em negociações de interesses privados junto ao governo federal, incluindo relações com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Um dos episódios investigados envolve uma tentativa de apresentar ao Ministério da Saúde uma proposta relacionada a produtos à base de canabidiol. Mensagens analisadas pela PF também indicariam tratativas envolvendo testes rápidos de dengue. Nenhuma das negociações resultou em contratação pelo governo.
Roberta admite ter pedido ajuda a Marcola para apresentar a proposta ligada ao canabidiol, mas nega ter pago por influência. Ela afirma que os R$ 249 mil relacionados ao ex-assessor de Lula correspondem a um empréstimo pessoal. Marcola também sustenta essa versão e afirma que devolveu integralmente o dinheiro.
Sobre Lulinha, Roberta confirma que os dois são amigos e que já conversaram sobre possíveis negócios privados. A defesa do filho do presidente nega irregularidades. Procurada pelo Fantástico para falar sobre os processos relacionados às dívidas, a empresária não concedeu entrevista e enviou uma relação dos processos, indicando quais já haviam sido arquivados.