Na sequência da ordem emitida na última segunda-feira (31) pelo ministro Dias Toffoli (TSE), os canais digitais do presidenciável Renan Santos (Missão) no YouTube e no Instagram foram desativados no território nacional. A revelação pública do cumprimento da medida ocorreu nesta terça-feira (1º), em decorrência da suposta falha no reporte de perfis virtuais empregados na propaganda política da chapa.
Documentação encaminhada pela gigante tecnológica esclareceu: "O Facebook Brasil foi oficiado a respeito da decisão liminar e, em cooperação, prontamente contatou a Meta para providenciar a preservação dos dados disponíveis a partir de 07/08/2026, relacionados às URLs indicadas na ordem".
Em contato com a equipe de reportagem da Gazeta do Povo, a assessoria de imprensa do político optou pelo silêncio, justificando o receio de que qualquer declaração pública fosse interpretada como transgressão à ordem judicial. Quem tenta visitar os endereços virtuais do candidato depara-se com o aviso de que o conteúdo “não está disponível no Brasil”, embora os colaboradores da campanha tenham publicado capturas de tela reiterando a origem judicial da sanção.
A corporação tecnológica complementou em nota que "a Meta confirmou que (I) tornou indisponíveis as contas e perfil de mesmas URLs; e (II) confirmou que as referidas contas e o perfil indicados estão excluídos do sistema de recomendação do respectivo serviço em que se localizam (Facebook e Instargram)".
Como forma de protesto, a imagem de perfil em uma das redes sociais foi substituída por um registro visual no qual o presidenciável exibe uma faixa com a inscrição "censurado". Tanto o Google (responsável pelo YouTube) quanto a Meta foram acionados para prestar esclarecimentos, mas mantiveram-se incontactáveis até o fechamento desta edição, com o espaço remanescente à disposição para manifestações.
Fundamentos da restrição e queda no TikTok
O veto imposto por Toffoli desestruturou a campanha online do postulante, proibindo inserções publicitárias em páginas não declaradas tempestivamente à Justiça Eleitoral. A penalidade também barrou o candidato de comparecer a debates públicos e congelou os repasses oriundos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).
O litígio concentra-se na omissão de 16 contas comunicadas formalmente ao TSE apenas em 19 de agosto, doze dias após o pedido oficial de registro protocolado em 7 de agosto. Para o magistrado, o atraso no reporte poderia blindar os perfis perante os algoritmos de recomendação antes do devido crivo fiscalizatório.
O perfil de Renan no TikTok, canal fundamental com cerca de 1,1 milhão de seguidores, também foi derrubado na segunda-feira (31). A assessoria da plataforma confirmou à Gazeta do Povo que “A conta não está mais disponível em razão do cumprimento de uma ordem judicial”.
Reação irônica do candidato
Antes do apagão digital total, o presidenciável convocou uma entrevista coletiva para refutar a determinação da corte eleitoral. Na ocasião, exibiu impressões de postagens críticas direcionadas a Dias Toffoli, vinculando o ministro ao caso Master.
Questionando a coincidência temporal, o político ironizou: “Eu duvido que esses elementos tenham alguma relação com o despacho profundamente técnico e democrático do ministro Dias Toffoli”.