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Marina Ruy Barbosa relembra polêmica por não raspar a cabeça em novela: “Sempre tive personalidade”
Atriz explicou por que decidiu não raspar o cabelo para personagem de “Amor à Vida” e revelou conversa posterior com o autor Walcyr Carrasco
01/09/2026 21h49
Por: Mateus Pereira
Foto: redes sociais

Marina Ruy Barbosa revisitou uma das maiores polêmicas de sua trajetória profissional ao falar sobre a decisão de não raspar o cabelo para viver Nicole Assis em “Amor à Vida”, novela da Globo exibida em 2013. Em entrevista ao podcast “Pod I”, da GloboNews, comandado por Andréia Sadi, a atriz explicou que a escolha foi muito além de uma questão estética.

Na época, Marina tinha apenas 17 anos e interpretava uma jovem órfã diagnosticada com leucemia em estágio terminal. A personagem inicialmente teria uma trajetória marcada pelo tratamento e pela perda dos cabelos em consequência da quimioterapia, mas a atriz optou por não realizar a mudança radical no visual.

A decisão provocou forte repercussão e chegou a gerar críticas sobre o comprometimento de Marina com o papel. Na história, Nicole morreu pouco tempo depois e passou a aparecer como uma espécie de fantasma, sem falas.

Ao relembrar o episódio, Marina explicou que a proposta inicial havia sido modificada durante a produção. “Eu sempre tive uma personalidade muito forte, mas que não significa difícil. Mas, assim, eu sempre tive uma personalidade muito forte de coisas que eu não abro mão, que não têm negociação. Tipo… passar por situações onde eu não me sinto, por exemplo, dizer não para alguma coisa que não faz sentido. Eu vou contar uma história antiga, mas que me perseguiu durante muito tempo, que é a história da novela do Walcyr Carrasco, que tinha a questão de raspar ou não a cabeça. Eu tinha 17 anos e, quando a gente está numa obra dessa, a gente sabe que tudo pode mudar. Mas, quando me chamaram para fazer a novela, ia ser uma coisa, me explicaram outra coisa, de repente as coisas foram mudando e indo para um outro caminho”, iniciou Marina.

“Naquele momento, se fosse algo que realmente tivesse uma importância, que, além do entretenimento, tivesse uma mensagem de trazer informação sobre prevenção, que tivesse uma campanha social envolvida, eu acho que faria todo o sentido e tudo bem. Só que as coisas foram indo para um outro lugar e aí, ao meu redor, virou uma coisa assim: ‘Marina não é atriz de verdade, porque ela não raspou a cabeça para o personagem, não raspou o cabelo’. Só que, assim, tudo depende, tudo é muito relativo, sabe?”, continuou.

“E, naquele momento, eu não tinha acesso. Hoje, ainda bem, as coisas mudaram muito também. Hoje em dia é muito mais fácil você ter uma conversa com o autor com quem você está trabalhando. Antigamente era assim [difícil]. Eu tinha 17 anos, era um dos meus primeiros papéis mais adultos, apesar de ser menor de idade”, completou.

A atriz afirmou ainda que avaliou os possíveis impactos profissionais antes de tomar a decisão. “Eu penso muito antes de tomar uma decisão. Eu penso, penso, penso e, quando eu tomo a decisão, quando eu tenho certeza dos argumentos e acredito neles, o meu não é poderoso, é embasado. Porque eu sou muito comprometida com o meu trabalho, sempre fui, desde pequena, até um pouco demais nesse sentido de querer dar o meu melhor, de ter autocrítica comigo mesma. Então, era um momento que eu tive muito medo de: ‘Será que isso vai definir a minha carreira?’, ‘Será que eu não vou ter mais oportunidades?’, ‘Será que eu vou ficar estigmatizada por isso?’. Na época, eu realmente fiquei com essa dúvida. Mas, conversando também com a própria Globo, a gente viu que não fazia sentido, que seria uma coisa muito pontual e que não ia ter embasamento suficiente de tudo isso que era previsto de ação social, de conscientização, e que ia ficar mais só pelo entretenimento. Então, em uma conversa muito franca com a Globo, a gente chegou nessa conclusão de que realmente não precisava”, revelou.

Anos depois, Marina decidiu procurar Walcyr Carrasco para esclarecer a situação. “Anos depois, chegou um momento que eu falei assim: ‘Isso ainda fica rodeando e eu nunca mais conversei com o Walcyr, que era o autor da novela, e às vezes ele nem sabe como foi passado para mim, como estava sendo tratado, como eu estava sendo tratada. O Walcyr é supertalentoso, eu já tinha feito outros trabalhos com ele… Então teve um dia que eu falei assim: ‘Eu vou pegar o telefone do Walcyr e ligar para ele’. E aí eu pedi o telefone para alguém e pensei: se bobear, ele não vai nem atender, porque é um número desconhecido”, contou.

“Aí eu peguei o telefone e falei: ‘Oi, Walcyr! Tudo bem? Aqui é a Marina Ruy Barbosa’. E aí ele: ‘Oi’, sem saber o que vinha pela frente. E eu: ‘Já passou tanto tempo e a gente nunca conversou, né? Eu queria muito conversar com você sobre tudo que aconteceu e por que eu tomei essa decisão. Foi por isso, isso, isso, isso que estava acontecendo nos bastidores, o que foi me passado inicialmente’.Não foi uma questão fútil, foi uma questão também de dramaturgia e, ao mesmo tempo, claro, eu iria abdicar ali, numa fase até difícil, de 17 anos, em que você não é totalmente adulta. E você abdica de uma certa vaidade pelo amor que você tem pelo trabalho, mas isso tem que fazer sentido e ter um propósito”, completou.

Segundo a atriz, a conversa ajudou a esclarecer o episódio. “E foi uma conversa muito boa com o Walcyr, porque a gente esclareceu tudo. E ele falou: ‘Marina, eu adoro seu trabalho, que bom que você me ligou e eu espero que a gente ainda trabalhe juntos’. Então, eu acho que foi muito bom.”