A dramaturgia brasileira despede-se de um de seus maiores ícones: Gracindo Jr. faleceu nesta quarta-feira (2) aos 83 anos em sua casa, no Rio de Janeiro, conforme comunicado por seu herdeiro, Pedro Gracindo, sem que o motivo do óbito viesse a público. Descendente direto de uma dinastia artística, sendo herdeiro do inesquecível Paulo Gracindo, Epaminondas Xavier Gracindo moldou uma trajetória superior aos sessenta anos que caminha lado a lado com a própria história da telinha no Brasil. Integrante do casting pioneiro da Rede Globo desde o seu surgimento em 1965, o intérprete e realizador acumulou atuações marcantes tanto na atuação quanto na direção.
Embora tenha frequentado os bancos acadêmicos da faculdade de Psicologia, o chamado dos palcos prevaleceu desde a sua adolescência, quando debutou aos 15 anos como rádio-ator na lendária Rádio Nacional. Na teledramaturgia, comoveu telespectadores ao atuar ao lado do patriarca na obra-prima “O Bem-Amado”. A conexão entre pai e filho repetiu-se em “O Casarão”, oportunidade em que ambos deram vida ao mesmo papel em fases distintas da existência.
O portfólio do veterano traduz-se em um verdadeiro inventário da memória televisiva nacional, com passagens marcantes por enredos como “O Salvador da Pátria”, “Rainha da Sucata” e “Celebridade”. Todavia, seu talento transbordava com igual intensidade nos bastidores da direção: esteve no comando de “Marron-Glacé”, conduziu as esquetes bem-humoradas de Renato Aragão em “Os Trapalhões” (1983) e capitaneou a introdução dos primeiros videoclipes no programa “Fantástico”.
Transferindo-se para a extinta TV Manchete, imortalizou-se na pele de Dom Pedro I na minissérie “A Marquesa de Santos” e integrou o elenco de “Dona Beija”. Em capítulos mais recentes de sua jornada profissional, aportou na Record TV, acrescentando ao currículo grandes produções como “Cidadão Brasileiro” e “Rei Davi”.