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Vorcaro apelou a Moraes pouco antes de ser preso pela PF: “Dá pra segurar?”
Durante duas semanas de intensa pressão, as conversas expõem o financista encurralado pela ameaça de derrocada e perda de sua liberdade
02/09/2026 11h21
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Metrópoles
Reprodução: Divulgação Congresso Em Foco/IA

Registros recuperados do smartphone de Daniel Vorcaro revelam que, no ápice da turbulência envolvendo o Banco Master, o executivo vivenciou momentos de profundo pânico ante o cerco policial iminente. Apavorado com a perspectiva de ser encarcerado e de ver sua entidade financeira desmoronar, o empresário buscou auxílio direto junto ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, ambicionando obter blindagem legal e aliviar a pressão das investigações. As informações são do Metrópoles.

“Dá pra segurar?”, questionava em um dos trechos. Durante duas semanas de intensa pressão, as conversas expõem o financista encurralado pela ameaça de derrocada e perda de sua liberdade. Dirigindo-se a Moraes, o dono do banco insistiu em pedidos para “sensibilizar” figuras do judiciário e indagava incessantemente sobre como poderia agir para “desarmar” as diligências e “reverter” a situação que o sufocava.

O desespero do executivo atingiu o clímax em 17 de novembro de 2025, quando, tomado pelo medo de uma custódia preventiva, disparou recados diretos ao ministro em busca de um socorro. O dirigente do Master quis saber se o magistrado obteve “ter notícia ou bloquear” o avanço das restrições judiciais contra sua pessoa. Vorcaro depositava fichas na suposta influência de Moraes sobre o então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, responsável por ordenar a liquidação da entidade, e sobre o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O objetivo do banqueiro era ganhar tempo para concretizar a alienação dos ativos do Master para um grupo formado pela Fictor Holding Financeira e investidores dos Emirados Árabes, tratativa interrompida pela deflagração da Operação Compliance Zero. “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível. Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”, suplicava Vorcaro a respeito da investida policial. “Ele [Galípolo] tá sabendo das soluções? E quer antecipar pra não deixar acontecer? Qual a sua leitura? O que tá havendo? E com Andrei, dá pra segurar?”, reforçava o contato.

Negócio abortado

O dirigente financeiro tentava ganhar tempo para selar a venda dos ativos do Master a um consórcio entre a Fictor Holding Financeira e fundos dos Emirados Árabes, mas o negócio foi abortado pela Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro.

“É o Galipolo quem esta pressionando isso pra fazer intervenção? Tentar que o Galípolo me receba e eu apresente o que vamos protocolar essa semana. Vamos resolver tudo. Não podem estourar uma bomba atômica na hora da solucao, não faz sentido pra ninguém. Nem pra ele, nem pro governo, pra economia e nem para o Brasil”, argumentava em outra mensagem.

O suplício de Vorcaro materializou-se instantes depois, quando sua cartada derradeira para fugir do país foi frustrada no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ao tentar decolar em uma aeronave executiva rumo a Dubai, manobra tratada pela Polícia Federal como fuga motivada pelo medo do cárcere, o empresário acabou interceptado e autuado em flagrante durante as diligências da Operação Compliance Zero.

Em diálogo distinto com Alexandre de Moraes, o investigado chegou a ponderar sobre a possibilidade de evadir-se antes de uma eventual ordem de prisão oriunda da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, consultando o magistrado sobre o tema.

“Já tenho que estar fora?”

Em 15 de novembro, dois dias antes de Vorcaro ser efetivamente preso, o banqueiro manda mensagem a Moraes, na qual cita o nome do magistrado da Justiça Federal e pergunta: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Apurações da Polícia Federal demonstraram que o réu operava um complexo esquema de monitoramento e captação clandestina de dados sigilosos vazados de dentro do Banco Central e dos tribunais superiores, canal pelo qual teria obtido o aviso prévio sobre sua captura.

A partir do material digital periciado, confirmou-se que o dono do Master teve ciência antecipada da primeira ordem de custódia preventiva expedida pela 10ª Vara Federal do DF em 17 de novembro de 2025. Em razão dessa vaza de informações, o acusado foi interceptado no mesmo dia no terminal aeroportuário paulista de Guarulhos justamente quando tentava embarcar em um voo com destino a Malta.