Luiz Inácio Lula da Silva deverá se manifestar publicamente sobre as revelações envolvendo Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo informações de O Globo, aliados do presidente discutem uma estratégia semelhante à adotada em outras crises: defender a investigação e, ao mesmo tempo, o direito de quem é citado a apresentar sua própria versão.
A avaliação dentro da campanha é de que Lula precisa tratar do assunto para impedir que a crise envolvendo o Supremo tenha reflexos sobre sua candidatura à reeleição. A ideia seria reafirmar a independência do Judiciário e deixar claro que o presidente não pretende interferir nas decisões internas da Corte.
Na terça-feira, Lula recebeu o ministro Gilmar Mendes no Palácio do Planalto para discutir a crise. Pessoas próximas ao presidente afirmam que ele ficou “perplexo” com a “forma e conteúdo” das mensagens e avaliou reservadamente que o episódio representa um problema do Judiciário com impacto sobre a credibilidade das instituições.
Paralelamente, uma ala do STF defende que, antes de qualquer avanço sobre eventual investigação de Moraes, seja discutida a validade do relatório da Polícia Federal. A PGR, comandada por Paulo Gonet, já pediu a nulidade do material e questionou a forma como a apuração foi conduzida.
A crise também preocupa a campanha petista porque Moraes é um dos principais alvos de críticas do bolsonarismo. Flávio Bolsonaro defendeu a saída do ministro do Supremo, enquanto outros nomes ligados à oposição passaram a pedir investigação e impeachment.
Ex-ministros de Lula que disputam as eleições, como Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, Simone Tebet e Paulo Pimenta, adotaram uma linha de defesa das investigações. Haddad afirmou: “Eu sempre defendi, e vou continuar defendendo, que tudo seja passado a limpo, porque é muito grave o que aconteceu com o Brasil”.