Notícias Política
“O STF é maior do que qualquer um que o integra”, afirma Flávio Dino em meio a crise na Corte
A manifestação ocorre no compasso de um momento de instabilidade aguda no STF, marcado por eventos recentes
04/09/2026 11h33
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Evaristo Sá/AFP

O magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino utilizou suas plataformas digitais nesta sexta-feira (5) para pontuar que a Corte "é maior do que qualquer um que a integra", sublinhando que "a lealdade institucional exige enfrentar os problemas reais, com o devido processo legal e no tempo certo".

A manifestação ocorre no compasso de um momento de instabilidade aguda no STF, marcado por eventos recentes: a divulgação por André Mendonça (relator do caso Banco Master) de um laudo da Polícia Federal expondo diálogos de Alexandre de Moraes com o financista Daniel Vorcaro; a posterior retaliação de Moraes ao solicitar uma apuração formal sobre a conduta de Mendonça; e a intervenção do chefe da corte, Edson Fachin, exigindo explicações formais de Mendonça, Moraes, do procurador-geral Paulo Gonet e do dirigente da PF, Andrei Rodrigues.

'Ouvir'

Ao longo de sua reflexão, o jurista pontuou que, em seus 37 anos de carreira pública, já presenciou inúmeras turbulências e que a superação de qualquer conflito passa obrigatoriamente por "a consulta aos clássicos". “Quando Cícero [orador romano] invocava as virtudes da toga (o poder civil) iluminava o poder da palavra, a ponderação, o julgamento racional, a sobriedade e os procedimentos”, argumentou.

Na sequência, o ministro enfatizou a necessidade de "ouvir" e "ler" para neutralizar instabilidades. “A Era da Superficialidade, fruto inclusive de um efeito manada, pode conduzir a tragédias”, alertou. O integrante da Suprema Corte também valorizou o "tempo oportuno". “Enquanto tais elementos são observados, seguir julgando os nossos processos judiciais não é autossuficiência ou "fingir que não há crise". É fazer com que a toga fale mais alto do que as armas ou eventuais gritos de hipócritas”, complementou.