A pioneira da música portuguesa a alcançar notoriedade sendo uma mulher trans, Patrícia Ribeiro, abriu o coração sobre um dos episódios mais dramáticos de sua trajetória, detalhando os severos danos decorrentes da aplicação de silicone industrial na face e na região dos glúteos. Realizada no decorrer da década de 2000, a intervenção gerou um rastro de problemas médicos e obrigou a artista a se submeter a dezenas de operações cirúrgicas na tentativa de eliminar o material do organismo. As informações são do Extra.
“Fiz loucuras nos anos 2000 por falta de informação e recursos financeiros na época e acabei deformando meu rosto e glúteos com litros de silicone industrial e nem sei como estou viva, pois gastei quase 1 milhão de reais em diversas cirurgias para conseguir retirar esse produto do meu corpo e rosto. E ele nunca sai na totalidade”, desabafou a intérprete, atualmente com 44 anos.
Desde então, ela convive com quadros inflamatórios recorrentes e internações hospitalares, relembrando inclusive quando quase perdeu a vida aqui no Brasil: “Estive à beira da morte no Brasil, em São Paulo. Tive que ser levada de urgência para um hospital privado. Foi terrível. Foram mais de 10 horas de cirurgia. Só queria morrer. Em Portugal, foi o momento mais delicado da minha vida”.
Mais de cinco litros nos glúteos e procedimento na face
A famosa revelou ter injetado uma quantidade superior a cinco litros da substância perigosa nos quadris e traseiro, o que resultou em hemorragias severas durante as tentativas de remoção: “Coloquei mais de 5 litros no bumbum e quadril. Perdi muito sangue na retirada do silicone industrial. Tive que fazer duas cirurgias. Fui levada de urgência para um hospital privado em São Paulo, onde eu tive que fazer várias transfusões de sangue, pois estava entre a vida e a morte”. Naquela época, os métodos ocorriam à margem da legalidade: “Naquela época, esses produtos eram aplicados sem qualquer cuidado médico, sem anestesia e clandestinamente. Um horror”.
Os danos estéticos e funcionais também atingiram a cabeça da cantora, exigindo técnicas invasivas para a limpeza do tecido: “E um dado importante: para conseguir retirar esse produto do rosto é necessário fazer descolamento do rosto. O meu rosto teve que ser descolado”. Diante da experiência traumática, ela deixa um aviso severo: “Um horror. Não aconselho ninguém a fazer essas loucuras. Procurem profissionais habilitados para fazer procedimentos, pois é um pesadelo e eu quase perdi a minha vida”.
Novas intempéries durante prisão
Por fim, Patrícia relatou que o problema voltou a se manifestar com gravidade enquanto cumpria pena em território português, exigindo nova intervenção cirúrgica e hospitalização prolongada: “E mais: dentro da prisão tive novamente inflamações gravíssimas. E fui sujeita a uma nova intervenção cirúrgica nos glúteos. E fiquei mais de um mês internada no hospital prisional de Caxias, em Portugal”.