O jornalista Bruno Di Simone fez declarações contundentes ao comentar os atos de 8 de janeiro de 2023 e o movimento político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em uma entrevista recente, ele afirmou que considera que houve uma tentativa de golpe e defendeu que os participantes envolvidos na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes fossem responsabilizados pelos crimes cometidos.
Questionado sobre os acontecimentos de Brasília, Di Simone foi direto: “É. Acredito não, foi um golpe”. Na avaliação do jornalista, o episódio não poderia ser tratado apenas como uma manifestação que saiu do controle, principalmente diante da destruição provocada no Congresso Nacional, no Supremo Tribunal Federal e no Palácio do Planalto.
Durante a conversa, Bruno também comentou as discussões sobre as condenações de manifestantes e citou o caso da mulher conhecida como “Débora do Batom”, que ficou famosa após escrever “Perdeu, Mané” em uma estátua durante os atos. Para ele, o fato de os participantes utilizarem objetos como bíblias ou batons não diminui a gravidade do que aconteceu.
“Foi uma baderna. Foi vandalismo. Isso é crime”, afirmou. O jornalista ainda destacou que, em sua visão, o problema não estava na realização de manifestações políticas, mas na invasão e depredação dos prédios públicos.
Em outro momento, Di Simone afirmou que havia um planejamento por trás dos acontecimentos. “Pra mim, tava tudo muito bem arquitetado ali”, declarou, mencionando ainda as investigações relacionadas a possíveis planos contra autoridades do país.
A discussão avançou para o comportamento de parte dos apoiadores de Bolsonaro. Bruno fez questão de diferenciar a direita do bolsonarismo e afirmou ter amigos que se identificam com o campo político, mas não apoiam o ex-presidente.
“Existe o bolsonarismo. E o bolsonarismo, gente, se tornou uma seita no Brasil”, afirmou. Na sequência, classificou o movimento de forma ainda mais dura, dizendo que se trata de uma “seita, sabe, maligna, diabólica”, e criticou o comportamento de pessoas que, segundo ele, tentam obrigar os outros a adotarem a mesma posição política.
Apesar das críticas ao bolsonarismo, Bruno também reconheceu que existem pessoas agressivas em diferentes espectros ideológicos. O jornalista afirmou que não concorda com ataques políticos e defendeu o direito de cada pessoa escolher em quem votar.
Ao falar sobre sua própria posição, Di Simone declarou que não costuma procurar páginas de políticos de direita para atacá-los e disse que, embora tenha rejeição ao grupo político de Bolsonaro, não defende que ninguém seja alvo de ameaças ou desejos de morte.
As declarações reacenderam o debate sobre a interpretação dos acontecimentos de 8 de janeiro e sobre a divisão política no Brasil. Ao longo da entrevista, o jornalista sustentou que os atos representaram algo mais grave do que uma simples manifestação, enquanto também criticou o radicalismo de setores do bolsonarismo.