Flávio Bolsonaro se manifestou nesta sexta-feira sobre a retirada do sigilo de parte das investigações relacionadas ao caso Master e pediu que todo o conteúdo das apurações seja tornado público. O senador e candidato à Presidência da República é investigado por suspeitas envolvendo repasses milionários de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
O inquérito foi aberto por autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), em 22 de julho. As apurações investigam possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos. O sigilo da decisão só foi levantado agora.
Mensagens atribuídas a Flávio mostram negociações de até R$ 134 milhões com Vorcaro para a produção do longa. Planilhas da Polícia Federal apontam que mais de R$ 61 milhões teriam sido pagos. A investigação também apura se recursos do banco chegaram à produtora por meio de um fundo sediado nos Estados Unidos e se parte do dinheiro foi utilizada para despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior.
Outro documento tornado público aponta que Eduardo Bolsonaro teria orientado como os recursos enviados aos Estados Unidos deveriam ser utilizados. Segundo a investigação, o filho do ex-presidente também indicou o sócio de um fundo para, conforme a Procuradoria-Geral da República, “operar o esquema” e facilitar a remessa do dinheiro.
A PF aponta que os recursos passariam pelo Havengate, fundo sediado no Texas e administrado pelo advogado de Eduardo, Paulo Calixto, e pelo sócio Altieris Santana. Criado inicialmente para operações imobiliárias, o fundo teria permanecido inativo por quase quatro anos antes de ser reativado para receber recursos destinados ao filme.
Os repasses teriam parado após a prisão de Vorcaro. A primeira remessa foi de US$ 2 milhões, feita em 13 de fevereiro de 2025 pela Entre Investimentos, do empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ele firmou acordo de delação premiada homologado por Mendonça nesta semana.
Em Manaus, Flávio afirmou que considera positiva a abertura das investigações e negou ter recebido dinheiro pessoalmente. “Eu peço ao ministro André Mendonça, tire o sigilo de tudo, mostra tudo para o povo, o povo merece saber e diferenciar quem está certo, que é o meu caso, de quem está errado, que é o caso do governo. Então, eu não tenho nada a reclamar sobre isso. Eu acho que tem que dar transparência e tudo que vão encontrar, o que eu sempre disse, que eu não tenho nada a esconder e que o filme é totalmente legal”, disse.
O inquérito principal relacionado ao filme, porém, permanece sob sigilo.