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Zanin e Mendes ordenam à PF remessa do conteúdo do celular de Vorcaro
A movimentação intensifica as divergências internas entre integrantes do tribunal superior pouco antes de uma deliberação crucial que avalia a viabilidade de apurar os atos do ministro Alexandre de Moraes
14/09/2026 09h24
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: O Globo
Reprodução: Gustavo Moreno e Andressa Anholete/STF

Na noite desse último domingo (13), o magistrado Gilmar Mendes, integrante da Corte Suprema, determinou que a corporação policial encaminhe diretamente à sua sala a cópia dos dados extraídos do aparelho telefônico pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira Master, alinhando-se ao posicionamento previamente adotado por Cristiano Zanin. As informações são do jornal O Globo.

A movimentação intensifica as divergências internas entre integrantes do tribunal superior pouco antes de uma deliberação crucial que avalia a viabilidade de apurar os atos do ministro Alexandre de Moraes. Horas antes, André Mendonça havia remetido um comunicado oficial ao comando da casa, Edson Fachin, manifestando forte oposição à abertura e ao repasse generalizado dessas informações, sob a justificativa de que tal medida comprometeria diligências em curso, além de reprovar o entendimento de Zanin em prol da transparência total dos registros.

No documento destinado ao chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Gilmar pontuou a relevância de examinar o conteúdo, uma vez que o dispositivo guarda o histórico dos diálogos encaminhados pelo executivo financeiro a Moraes.

A documentação preparada pela corporação, que servirá de base para a apreciação colegiada, aponta que o banqueiro mantinha contato frequente com o membro da Corte, supostamente solicitando apoios institucionais logo antes de ser detido. O decano pontuou ainda que um exemplar do material já se encontra sob custódia na sala de Mendonça.

"Sem a verificação da mídia que se encontra no Gabinete do Ministro André Mendonça há mais de seis meses, não há como identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório, nem aferir a integralidade do que foi recuperado, o contexto das mensagens ou a representatividade da seleção". Em contraponto à postura de Zanin, Mendes optou por não endossar a abertura pública do conteúdo.

"Sobre o alegado risco para o êxito das investigações, suscitado pelo eminente Ministro André Mendonça, registro que não se cogita de qualquer levantamento de sigilo. O material permanecerá submetido a regime rigoroso de restrição, com acesso limitado a este Gabinete, nos mesmos termos do acesso de que dispõe o Relator desde 8 de março de 2026. O que se pede não é divulgação, mas apenas acesso interno, por quem está submetido ao mesmo dever de sigilo que vincula o Relator e a própria autoridade policial".