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Ministro Zanin recebe da PF cópia dos dados do celular de Vorcaro
Ao requerer as informações aos agentes, Zanin pontuou a inexistência de subordinação entre os togados da Corte e cobrou visualização total dos registros antes da apreciação do relatório sobre diálogos mantidos entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes
14/09/2026 10h43
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Metrópoles
Reprodução: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Na manhã desta segunda-feira (14), a Polícia Federal (PF) remeteu o teor completo extraído do smartphone de Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira Master, coletado no âmbito da Operação Compliance Zero. O envio obedece a uma ordem expedida pelo magistrado Cristiano Zanin. O eletrônico em questão refere-se a um modelo iPhone 17 Pro recolhido pelos peritos em 18 de novembro de 2025, data em que o executivo foi detido inicialmente. No total, o inquérito contabiliza oito terminais telefônicos investigados. As informações são do Metrópoles.

Ao requerer as informações aos agentes, Zanin pontuou a inexistência de subordinação entre os togados da Corte e cobrou visualização total dos registros antes da apreciação do relatório sobre diálogos mantidos entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes. Embora o limite estipulado vencesse às 23h de domingo (13), os dados foram despachados no período matutino, um movimento similar ao determinado anteriormente pelo decano, Gilmar Mendes. Em contrapartida, no mesmo dia, André Mendonça enviou um comunicado oficial argumentando que a publicidade e a propagação integral dos dados recuperados “somente contribuiria para tumultuar o julgamento” e colocaria “em risco todo o seguimento e êxito das investigações”.

Abertura de sigilo

Ainda no domingo (13), o Ministério Público Federal (MPF) manifestou-se favorável à remoção do sigilo sobre o sistema financeiro de transações de Vorcaro. A posição foi encaminhada ao presidente do tribunal, Edson Fachin, atendendo a uma demanda de Moraes para tornar públicas as apurações que antecedem a sessão plenária marcada para esta terça-feira (15), medida que pode viabilizar uma investigação formal contra o membro do STF.

Cabendo a Fachin a condução do processo, o vice-procurador-geral da República, Hidenburgo Chateaubriand, respondeu ao dirigente da Casa que o órgão ministerial desconhecia a tramitação e que o caso sequer constava como visível para a Procuradoria no sistema eletrônico do Supremo. Segundo o órgão, o material precisa ter o sigilo suspenso para que os demais ministros avaliem integralmente os acontecimentos antes do julgamento envolvendo Moraes.

Na mira das apurações O magistrado Alexandre de Moraes passou a integrar o relatório da PF após o mapeamento de 52 interações trocadas com o banqueiro. As tratativas teriam ocorrido majoritariamente no penúltimo mês de 2025, nas semanas que antecederam a primeira captura do empresário, que buscava respaldo diante do cerco policial ao Banco Master. Os arquivos digitalizados também citam Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, além de outras personalidades públicas.

O levantamento documental foi gerado por ordem de André Mendonça, desencadeando um forte abalo institucional na Suprema Corte e debates públicos entre os integrantes. Diante do cenário, Edson Fachin convocou o plenário para deliberar sobre o teor das investigações.