O parlamentar e postulante ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apresentou na segunda-feira (14) uma representação criminal perante a Suprema Corte exigindo investigação sobre uma suposta coerção praticada pelo empresário Fernando Sarney no âmbito das apurações do longa-metragem Dark Horse. O herdeiro da família Sarney é acusado de ter assediado a cineasta Karina Gama para forçar uma delação premiada. O empresário, por sua vez, rejeita taxativamente as acusações. As informações são da Gazeta do Povo.
No documento jurídico protocolado junto ao gabinete do presidente do STF, ministro Edson Fachin, a defesa do senador aponta que a gestora da Go Up produtora do filme biográfico, Karina Gama, teria sido acuada por Sarney com o intuito de incriminar Flávio. A diretora formalizou a situação em um termo extrajudicial registrado em cartório paulista, detalhando os episódios de intimidação.
As investidas teriam ocorrido antes de uma ação de busca e apreensão executada pela Polícia Federal. Tanto Karina quanto o deputado federal Mario Frias, também atingidos pelas diligências policiais, refutaram quaisquer ilícitos.
Conforme a peça encaminhada à mais alta corte do país, a primeira investida ocorreu em maio de 2026, ocasião em que a cineasta alega ter recebido propostas de assistência jurídica e menções a uma suposta proximidade com o ministro Flávio Dino, encarregado do inquérito no tribunal. Na ocasião, Sarney teria aventado a possibilidade de um acordo de colaboração que atingisse diretamente o principal rival da atual gestão federal.
No mesmo registro cartorial, a empresária fez questão de ponderar que carece de indícios para imputar ao magistrado qualquer ciência ou participação nos diálogos.
Em um segundo momento, datado de 27 de agosto de 2026, um líder religioso, descrito como antigo conhecido da vítima, teria telefonado para assegurar que, caso aceitasse fechar a delação, "nada ocorreria" e ela ficaria imune a investidas policiais.
Dias depois, em 10 de setembro de 2026, a corporação policial deflagrou a ofensiva contra a produtora com aval do relator Flávio Dino. Mais tarde, a executiva afirmou publicamente à imprensa não dispor de dados ou informações que pudessem incriminar terceiros.
Quando o termo de declarações veio à tona, Fernando Sarney negou veementemente as imputações, declarando que sequer conhece a cineasta e que jamais conversou com ela ou com intermediários sobre acordos de delação relacionados à obra cinematográfica.
Assinada pelos advogados Tracy Reinaldet, Matteus Macedo e Leonardo Castegnaro, a petição da defesa de Flávio requer:
A aceitação da notícia-crime e a abertura imediata de apuração preliminar sob a tutela da Presidência do STF.
A publicidade integral dos atos processuais, resguardando sigilo estritamente para diligências cujo caráter público possa prejudicar o esclarecimento dos fatos.