Negócios Reality
Reality de negócios Além da Ideia estreia com R$ 800 mil na mesa e mostra como empreendedorismo virou entretenimento
João Brasio estreia no Além da Ideia com investimento milionário em uma empresa participante, enquanto programa mistura pitch, mentoria, imagem e disputa por atenção
16/09/2026 20h24
Por: Eluan Carlos


Reality show já colocou gente para cantar, cozinhar, casar, sobreviver numa ilha e conviver numa casa cercada de câmeras.

Agora, cada vez mais, também coloca empresário para vender ideia.

A nova fase do Além da Ideia, que estreia nesta quarta-feira, 16 de setembro, leva essa lógica um passo adiante: o especialista em cibersegurança João Brasio entra no programa como investidor e já começa colocando R$ 800 mil em uma das empresas participantes.

O nome do empreendedor escolhido ainda não foi revelado. O público só vai descobrir durante a exibição do episódio.

E talvez esse segredo seja justamente o que mostra como o empreendedorismo aprendeu uma coisa importante com o entretenimento:

negócio também precisa de narrativa.

Um pitch também pode ser espetáculo

Quem já assistiu a programas de investimento sabe que a fórmula funciona.

Existe tensão.

Existe dinheiro.

Existe personagem.

Existe risco.

Existe aquele momento em que alguém precisa convencer outra pessoa de que sua ideia vale centenas de milhares de reais.

No Além da Ideia, essa dinâmica vem acompanhada de uma preparação anterior às gravações. Os participantes passam pelo Reality Club, braço educacional do projeto, onde trabalham comunicação e estruturação da narrativa dos negócios antes de chegarem ao pitch.

Isso me chamou atenção.

Porque existe uma verdade que muito empreendedor demora para entender:

ter um bom negócio não significa saber vender um bom negócio.

Você pode ter produto.

Pode ter margem.

Pode ter cliente.

Pode ter crescimento.

Se não consegue explicar por que aquilo importa, existe uma chance enorme de alguém com uma empresa pior e uma narrativa melhor ocupar seu espaço.

R$ 800 mil também compram confiança

Segundo Brasio, o que pesou em sua decisão de investir foi justamente a curadoria e o processo de preparação anterior à apresentação.

Não é pouca coisa.

R$ 800 mil não entram numa empresa porque o PowerPoint estava bonito.

O investidor precisa acreditar no negócio, no empreendedor e na capacidade de execução.

Mas existe uma camada que não pode ser ignorada:

como esse negócio é apresentado.

A televisão, o YouTube e as redes sociais amplificaram isso.

Hoje um empreendedor não disputa apenas cliente e capital.

Disputa atenção.

E atenção virou uma espécie de porta de entrada para quase tudo.

Investidor.

Imprensa.

Parceiro.

Cliente.

Talento.

Oportunidade.

Quando a imagem também entra no valuation

O programa reúne outros nomes do mercado, entre eles Juliano Dutra, cofundador do iFood, Giovani Begossi e Rodrigo Neves, presidente da Anamid.

Mas existe uma frase do próprio material do programa que, para mim, resume melhor essa nova fase do empreendedorismo.

José Vicente Bernardo, responsável pela assinatura editorial do Além da Ideia e ex-editor-chefe da Forbes Brasil, afirma que o reality também trabalha a narrativa e a autoridade de mentores e investidores porque “o maior ativo de cada um é a própria imagem”.

Pode parecer exagero.

Não é.

Hoje o fundador aparece.

O CEO grava vídeo.

O investidor publica opinião.

O especialista vira creator.

A empresa ganha rosto.

E, em muitos casos, o mercado passa a avaliar também quem está por trás daquela marca.

Isso tem lado bom e lado perigoso.

Uma imagem forte acelera confiança.

Uma imagem mal construída pode derrubar em semanas aquilo que levou anos para ser criado.

O empreendedorismo descobriu o roteiro

Talvez o ponto mais interessante desses realities de negócios não seja simplesmente assistir alguém receber investimento.

É perceber como o mundo empresarial está absorvendo a lógica do entretenimento.

Um bom pitch tem começo.

Tem conflito.

Tem transformação.

Tem números.

Tem personagem.

E precisa terminar com alguém querendo saber o que acontece depois.

Isso é roteiro.

Só que, nesse caso, existe CNPJ envolvido.

O próprio Além da Ideia se apresenta como uma empresa de mídia e negócios focada em narrativa, exposição e relacionamento estratégico. A nova fase será exibida no YouTube, no canal do projeto.

O que antes ficava restrito à sala de reunião agora pode virar conteúdo.

E isso muda a dinâmica.

O empreendedor passa a falar simultaneamente com o investidor sentado à sua frente e com milhares de pessoas do outro lado da tela.

Uma ideia boa já não basta

Talvez seja esse o grande recado.

O nome do programa é Além da Ideia.

Faz sentido.

Porque ideia, sozinha, vale muito pouco.

Execução importa.

Venda importa.

Modelo de negócio importa.

Mas no mercado atual existe outro componente cada vez mais decisivo:

ser entendido.

João Brasio colocou R$ 800 mil em uma empresa depois de ouvir um pitch.

O público ainda vai descobrir qual.

Mas existe algo que já sabemos antes mesmo do episódio ir ao ar:

o empreendedorismo está ficando cada vez mais parecido com entretenimento.

E talvez quem souber contar melhor sua história tenha uma vantagem enorme sobre quem ainda acredita que um bom produto fala sozinho.