A crise interna no Supremo Tribunal Federal pode continuar por um longo período após o pedido de vista apresentado por Flávio Dino durante a sessão extraordinária desta terça-feira (15). Segundo apuração do Metrópoles, o ministro tem até 90 dias para devolver o processo ao plenário, embora possa fazer isso antes do fim do prazo.
Antes da paralisação, os ministros ainda precisavam concluir a votação de uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. A proposta é reunir as petições 16.662 e 16.704, relacionadas às condutas de Alexandre de Moraes e André Mendonça, em um mesmo julgamento.
O placar provisório estava em 4 a 3 pela tramitação separada dos casos. Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação, enquanto Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Moraes defenderam a análise conjunta. Dino havia acompanhado esse segundo grupo, mas pediu vista antes de o voto ser computado.
A expectativa nos bastidores, conforme o Metrópoles, é de que os processos possam retornar à pauta em 23 de setembro, quando já está prevista a discussão sobre a conduta de Mendonça no caso Master.
A reunião de terça-feira foi marcada por acusações, gritos e discussões entre ministros. O confronto entre Gilmar Mendes e André Mendonça aconteceu depois de uma fala de Paulo Gonet sobre o caso.
Diante do cenário, Dino afirmou que o debate estava “degradando” o Supremo e pediu a suspensão da análise.
Outro ponto levantado durante a sessão envolveu mensagens atribuídas a Vorcaro e contatos com outros ministros ou pessoas próximas a integrantes da Corte. Entre eles, foram citados Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Na avaliação de interlocutores ouvidos pelo Metrópoles, a intervenção de Dino teria como objetivo reduzir a tensão dentro do tribunal. A presidência da Corte e os ministros decanos devem atuar para tentar conter novas trocas de acusações.
Por enquanto, Alexandre de Moraes segue sem ser alvo de uma investigação formal. Também permanece em aberto a realização da sessão prevista para a próxima semana.