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PMs são punidos por trabalharem como motoristas particulares de Deolane Bezerra
O inquérito administrativo revelou também que ambos circulavam armados enquanto realizavam o transporte da influenciadora por diversos municípios de Pernambuco e em turnos alternados
17/09/2026 11h53
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Agnews

Dois policiais militares de Pernambuco receberam sanções de detenção após prestarem serviços de motoristas particulares para Deolane Bezerra, que se encontra detida desde o mês de maio em meio a apurações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro e associação criminosa vinculada ao setor financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

O procedimento investigativo interno contra os agentes está detalhado em um relatório de sindicância disciplinar, que examinou a prática clandestina de segurança privada realizada por dois sargentos pertencentes à corporação militar e ao Batalhão de Polícia Rodoviária pernambucano. As informações foram trazidas a público primeiramente pelo repórter Raphael Guerra, veículo Jornal do Commercio, e posteriormente validadas pelo portal Terra.

A conduta paralela dos agentes ganhou repercussão logo após a captura de Deolane na capital pernambucana, em 4 de setembro de 2024, durante a execução da Operação "Integration". Naquela oportunidade, o 2º sargento Eduardo de Miranda Mendes (vinculado ao 19º BPMPE) e o 3º sargento Willney Bezerra Matias de Silva foram levados pela Polícia Civil e admitiram que atuavam como condutores da figura pública.

O inquérito administrativo revelou também que ambos circulavam armados enquanto realizavam o transporte da influenciadora por diversos municípios de Pernambuco e em turnos alternados.

Em depoimento prestado ao Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri) situado em Recife, o policial Eduardo declarou ter recebido o convite por parte do cônjuge de uma prima da famosa para prestar "um apoio". O aceite, conforme o agente, ocorreu com o objetivo de "fazer networking".

A mesma motivação foi alegada por Willney, que acrescentou ter agido com o propósito de viabilizar futuras ascensões funcionais dentro da instituição militar. Os dois sustentaram que exerceram a função de maneira "voluntariamente", sem auferir qualquer remuneração financeira, embora levassem consigo os armamentos pertencentes à corporação policial durante as viagens.

Por meio de ato chancelado pelo coronel Cláudio Ricardo Lopes, que atua como subcomandante-geral da PMPE, os servidores foram penalizados com reclusão disciplinar. A punição fundamentou-se primordialmente no fato de os policiais estarem armados enquanto escoltavam Deolane.

Lopes pontuou, ademais, que a ausência de pagamento não descaracteriza a prática ilegal de segurança privada, visto que a conduta viola o regime de dedicação exclusiva e ainda "compromete a imagem da Corporação".

A utilização de armamento pertencente ao Estado também configurou "uso de bem público fora das finalidades institucionais", destacou o subcomandante-geral. Como desfecho da sanção, Eduardo foi penalizado com 25 dias de detenção, ao passo que Willney recebeu uma condenação de 30 dias, cabendo recurso por parte de ambos.