Investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) trouxeram à tona registros de uma auditoria interna do Banco Regional de Brasília (BRB), revelando que a instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro, o Banco Master, efetuou o repasse de R$ 33 milhões ao longo de 2024 para o escritório Alves Corrêa, liderado pela advogada Dalide Corrêa.
De acordo com apuração do jornal O Estado de S. Paulo, os papéis foram confiscados no escopo de diligências sobre a instituição. Os dados contábeis mostram um salto vertiginoso nos gastos do banco com serviços jurídicos externos, que passaram de R$ 76 milhões em 2023 para expressivos R$ 215 milhões no período subsequente. Dentre as quantias mapeadas, destacam-se R$ 40 milhões repassados para a banca Barci de Moraes, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, cônjuge do magistrado Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal.
Em mensagens resgatadas pelos investigadores, o diretor financeiro do Master, Ângelo Ribeiro, instrui o superintendente de Tesouraria, Alberto Félix, a proceder com a quitação devida ao escritório de Dalide Corrêa, caracterizando-a nas tratativas como um “canal direto com o STF”. Ex-diretora do IDP, estabelecimento acadêmico criado pelo ministro Gilmar Mendes, a jurista teve seu nome associado a essa alcunha nas conversas internas.
Apesar das citações, os arquivos recuperados até o momento não contêm referências diretas a Gilmar Mendes ou a demais autoridades da Suprema Corte associadas aos montantes. A corporação policial tampouco executou apurações aprofundadas acerca da avença contratual de Dalide ou emitiu um parecer definitivo sobre a idoneidade das prestações de serviço.
Em sua defesa, a advogada refuta qualquer prestação de serviços perante o STF em prol da instituição bancária. Conforme apontam os registros, a atuação de seu escritório consistiu na condução de litígios judiciais de instâncias inferiores vinculados a companhias que comercializaram créditos com o banco.