
Registros de conversas que seriam de autoria de Daniel Vorcaro, acionista principal do Banco Master, sugerem uma solicitação para a emissão de comprovantes internacionais de vacinação contra a febre amarela constando prazos de aplicação passados. Os diálogos em questão articulam o empresário com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de Sicário e apontado por investigações da Polícia Federal (PF) como o responsável por gerir um grupo paramilitar particular a serviço do ex-executivo.
Segundo apurações divulgadas pelo periódico Folha de S. Paulo, Vorcaro repassou dados cadastrais de Monique Alfradique ao subordinado, recebendo de volta retornos que indicavam o lançamento retroativo do histórico de vacinação nos bancos de dados governamentais. Até o momento, desconhece-se se a famosa tinha ciência da tratativa, ocorrida no dia 12 de dezembro de 2024.
Pela manhã, às 8h57 daquela data, o banqueiro repassou um modelo de formulário exigindo para “tirar dois certificados desses”. Horas depois, próximo ao meio-dia, o operador recebeu de um terceiro contato a mensagem: “Chef aquele lá tá pronto já. Quer inserir sistema não?”. Logo em seguida, foi pedido o número de CPF da artista. Vorcaro enviou então o nome completo, o documento e a data de nascimento de Monique. Já às 13h25, Sicário atestou que a injeção do imunizante havia sido registrada com data retroativa de 9 de abril de 2024, assegurando que a plataforma oficial do Ministério da Saúde (MS) já gerava o documento.
Por meio de nota oficial, a equipe de comunicação de Monique Alfradique esclareceu que o reforço final da vacina ocorreu em 22 de abril de 2024 na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A assessoria salientou veementemente que “as duas doses da vacina contra a febre amarela ministradas em Monique Alfradique ocorreram de forma absolutamente regular, nos postos de saúde devidamente credenciados, em observância aos protocolos oficiais”.