
O Ministério Público de São Paulo investiga o caso de Júlia Bossoni, jovem que sofreu um grave traumatismo cranioencefálico enquanto estava na montanha-russa Montezum, do Hopi Hari. A atração fica em Vinhedo, no interior paulista. O caso foi mostrado pelo "Fantástico", da TV Globo.
Júlia havia viajado com o namorado, João Pedro, de Londrina, no Paraná, até o parque. Na primeira vez em que andaram na Montezum, o casal não apresentou problemas e ainda recebeu uma promoção para utilizar novamente a atração. Na segunda passagem, porém, Júlia saiu desacordada do carrinho após o percurso.
“Ela já estava inconsciente, já estava convulsionando e nesse momento você fica desesperado, não sabe o que fazer”, relatou João Pedro. A jovem foi atendida no parque e levada para a Santa Casa de Vinhedo, onde foi encaminhada diretamente à UTI.
Os exames apontaram hemorragia intracraniana e grande edema cerebral. Ela precisou passar por uma craniectomia descompressiva. O neurocirurgião Victor Batistela explicou: “Essa cirurgia visa a retirada de uma grande porção da calota craniana para permitir o cérebro fazer esse processo de inchaço”.
Júlia permaneceu 57 dias internada e recebeu diagnóstico de traumatismo cranioencefálico. Segundo o laudo médico citado na reportagem, o trauma teria sido provocado por um mecanismo de contragolpe durante o percurso da montanha-russa. “Apenas um movimento brusco de aceleração e desaceleração e rotação do crânio pode fazer a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais, causando uma hemorragia intracraniana e levando a um edema cerebral”, afirmou o especialista. A família conta que ela perdeu os movimentos do lado esquerdo, tem dificuldades na fala e enfrenta problemas de memória.
A reportagem também cita outros casos envolvendo a Montezum. Nathalia Assenjo Motta, em 2018, sofreu uma lesão cervical e precisou colocar 12 pinos e duas hastes. Em 2014, Márcio também ficou tetraplégico após um acidente na atração e morreu em 2023 por complicações decorrentes de uma infecção urinária. Segundo o texto, a plataforma Reclame Aqui reunia ao menos 40 registros, nos últimos dois anos, de pessoas que relatavam lesões após andar no brinquedo.
O Hopi Hari afirmou ao Fantástico que a Montezum possui certificação internacional do grupo TÜV Nord e passa por inspeções anuais. O parque também disse seguir normas nacionais de segurança e informou que a atração possui placas e avisos sonoros com restrições. Sobre Júlia, afirmou que ela recebeu atendimento imediato, que o parque acompanhou a internação e custeou despesas. A administração citou ainda parecer do Ministério Público de agosto de 2026 que, segundo a nota, não identificou risco coletivo, defeito no projeto ou negligência. A família da jovem, por sua vez, recorreu à Justiça para pedir uma perícia sobre as circunstâncias do acidente.