Três filhos de Flordelis dos Santos de Souza terão de voltar ao Tribunal do Júri pela morte do pastor Anderson do Carmo, assassinado a tiros em 2019, na garagem da casa da família, em Niterói. Segundo o jornal O Globo, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve, por unanimidade, a decisão que anulou as absolvições de Marzy Teixeira da Silva, André Luiz de Oliveira e Rayane dos Santos Oliveira.
Os três haviam sido absolvidos pelo júri de Niterói em novembro de 2022 e permanecem em liberdade desde então. Marzy é filha socioafetiva de Flordelis. André entrou na família como filho e posteriormente se casou com Simone, filha biológica da ex-deputada, tornando-se genro dela. Rayane foi criada inicialmente como filha e depois passou a ser legalmente neta de Flordelis após ser adotada por Simone.
No julgamento de 2022, Marzy e André foram absolvidos das acusações relacionadas ao homicídio triplamente qualificado de Anderson, à tentativa de homicídio por envenenamento e à associação criminosa armada. Rayane foi absolvida do homicídio e da associação criminosa. O Ministério Público recorreu e conseguiu derrubar as absolvições no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
As defesas tentaram impedir um novo julgamento no STJ, alegando que os jurados poderiam absolver os réus por clemência e que essa decisão estaria protegida pela soberania do Tribunal do Júri. A Sexta Turma rejeitou o recurso por unanimidade. Segundo o tribunal, houve contradição no primeiro julgamento, já que a única tese apresentada pelas defesas era a negativa de autoria, enquanto os jurados reconheceram a materialidade e a autoria antes de absolver os acusados.
O STJ também considerou elementos como laudos, depoimentos, mensagens extraídas de celulares e interrogatórios apontados como incompatíveis com a absolvição. Segundo a denúncia do Ministério Público, Marzy e Rayane teriam ajudado Flordelis no planejamento do assassinato e no convencimento de Flávio dos Santos Rodrigues e Lucas Cézar dos Santos de Souza a participar do crime. André é acusado de incentivar e reforçar os planos para matar Anderson, enquanto Marzy e ele também respondem por supostas tentativas anteriores de envenenar o pastor.
Desde as absolvições, os três retomaram a vida fora da prisão. Segundo a advogada Janira Rocha, que defende Flordelis, Marzy trabalha como fotógrafa, André Luiz é motorista de aplicativo e Rayane trabalhava como caixa de restaurante, além de atuar como influenciadora digital. Flordelis continua cumprindo pena de 50 anos em Bangu. A defesa pretende recorrer da condenação e afirma: “Não vou deixar enterrarem a Flordelis na prisão, pois ela é inocente”.