Uma pesquisa recente conduzida pela AP Exata nas plataformas digitais indica que a recente proibição das apostas online não se traduziu de forma direta em ganhos políticos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O estudo examinou 180.000 publicações veiculadas nas redes X (antigo Twitter) e Instagram entre os dias 25 e 26 de setembro, focando na medida provisória que vetou tais plataformas no país.
Conforme a análise, embora a restrição ao setor conte com ampla aprovação popular, sustentada sobretudo pelo temor do endividamento e da dependência, tal respaldo não migra automaticamente para a imagem do mandatário: quase 70% (68,2%) das postagens sobre o tema ignoram completamente a figura presidencial.
Do restante do volume analisado, 18,6% dos conteúdos trazem elogios ou creditam a decisão ao chefe do Executivo, e 6,2% aprovam a proibição mas fazem ressalvas à conduta governamental. Em contrapartida, as manifestações contrárias a Lula ou ao timing da medida representam 7%, fundamentando-se principalmente na contradição entre a decisão atual e o processo prévio de regulamentação conduzido pelo próprio governo, além de apontarem um possível cálculo político às vésperas do pleito.
Em entrevista concedida à emissora CNN, o CEO da AP Exata, Sergio Denicoli, sintetizou o cenário: “Basicamente, a população é contra as Bets, mas isso não quer dizer que o Lula se beneficia do fato de ter proibido. Muita gente vê como oportunismo eleitoral e muita gente critica dizendo que o próprio PT regulamentou as Bets”.