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Lula afirma que clubes de futebol “que se virem” após fim das casas de apostas
Equipes integrantes da elite do Campeonato Nacional, das quais várias ostentam tais corporações como patrocinadoras principais, externaram oposição à interdição e acenaram para riscos de desequilíbrio fiscal em seus caixas
29/09/2026 13h00
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Redes Sociais

O mandatário da República, Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a relativizar as consequências econômicas decorrentes da proibição das apostas esportivas, decretada na última sexta-feira (25). Na perspectiva do chefe do Executivo, a restrição não causará rombos financeiros, argumentando que as principais taças conquistadas por times do país aconteceram em eras nas quais a modalidade não dependia de investimentos do setor de palpites virtuais.

“Os clubes (de futebol) que se virem. Nós já aprovamos a lei que permite que os clubes virem empresas, as SAFs; agora é preciso colocar gente de competência para gerir as empresas”, declarou Lula.

Equipes integrantes da elite do Campeonato Nacional, das quais várias ostentam tais corporações como patrocinadoras principais, externaram oposição à interdição e acenaram para riscos de desequilíbrio fiscal em seus caixas. Apesar disso, o presidente desqualificou tais apreensões e pontuou que o governo analisa mecanismos de suporte aos times, recordando as conquistas mundiais de Flamengo, Corinthians, Grêmio e Internacional em épocas anteriores ao patrocínio das bets.

Ações de fiscalização e remoção de sites

Adicionalmente, a gestão federal comunicou na segunda-feira (28) a desativação de 506 portais de apostas que funcionavam de maneira clandestina logo após o veto nacional à prática. A operação conjunta entre a pasta da Justiça e a da Fazenda teve o propósito de bloquear o acesso a esses ambientes digitais ilegais e barrar a proliferação de novas páginas, conforme detalhado em comunicado oficial.

De forma concomitante, órgãos estatais localizaram propagandas de empresas de palpites nas mídias sociais e articularam um encontro com executivos da Meta, do Google e do TikTok com a finalidade de coordenar a exclusão de tais conteúdos publicitários.

Contexto político e dados financeiros

O decreto assinado pelo presidente banindo os jogos online foi oficializado a poucos dias do pleito em que ele concorre à recondução ao cargo. No decorrer da divulgação da norma, o político equiparou a ludopatia (um transtorno mental reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que se caracteriza pelo desejo incontrolável e compulsivo de apostar em jogos de azar) ao vício em substâncias químicas e chamou a atenção para o elevado endividamento das famílias no Brasil.

Durante o ano de 2025, cerca de 25 milhões de cidadãos movimentaram perto de R$ 220,6 bilhões em apostas, gerando uma receita de tributos na ordem de R$ 9 bilhões para o erário. Vale recordar que o próprio governo federal havia estabelecido a regulamentação do mercado em 2023.