Coordenador da empreitada presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), o senador Rogério Marinho (PL-RN) tem mantido conversas reservadas com magistrados do Supremo Tribunal Federal com o intuito de debater o formato de convivência entre um provável mandato do aliado e a cúpula do Judiciário. Recentemente, o parlamentar manteve diálogos presenciais com os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux, além de buscar uma agenda com o chefe da Corte, Edson Fachin. Reportagens assinadas por Bela Megale (O Globo) e Igor Gadelha (Metrópoles) revelam que o emissário levou à mesa exigências diretas: a extinção do inquérito das fake news e a projeção de que Alexandre de Moraes não passará imune a apurações em uma futura gestão bolsonarista.
A ofensiva política da campanha junto aos ministros intensificou-se nas últimas semanas. Conforme os jornalistas Bela Megale e Igor Gadelha relataram, Marinho reuniu-se com o decano Gilmar Mendes e com o magistrado Luiz Fux, ao passo que o próprio candidato à Presidência também buscou interlocução direta com integrantes do tribunal, encontrando-se com Mendes.
As tratativas seguem em andamento. À coluna de Igor Gadelha, o coordenador confirmou ter buscado o presidente do STF, Edson Fachin, aguardando uma resposta: “Liguei. Não atendeu. Solicitei audiência, mas ainda não marcou”. O objetivo oficial do movimento é demonstrar que, caso triunfe no pleito, o senador pretende preservar o diálogo institucional com a mais alta instância da Justiça brasileira.
Por trás dos encontros diplomáticos, contudo, há exigências concretas. Conforme as apurações jornalísticas, o senador transmitiu aos togados o desejo de que o STF adote “gestos” concretos em favor do grupo político, sendo a prioridade o encerramento do inquérito das fake news, um procedimento que, no começo de setembro, deixou a relatoria de Alexandre de Moraes por ordem de Fachin após pleito de redistribuição formulado por André Mendonça.
As recados da campanha, no entanto, extrapolam o escopo da referida investigação. Segundo as mesmas fontes, Marinho indicou que enxerga como remota a possibilidade de que Alexandre de Moraes escape de apurações ligadas à sua conduta no episódio envolvendo o financista Daniel Vorcaro. O parlamentar também teria sugerido que um pedido de impeachment contra o ministro não está descartado, conferindo à investida um caráter ambíguo: um aceno de pacificação para alguns e uma pressão indireta para outros.
Para abrandar o teor das cobranças, o coordenador optou por um discurso apaziguador nos encontros. De acordo com Bela Megale e Igor Gadelha, o senador assegurou que uma vitória de Flávio Bolsonaro não virá acompanhada de um “espírito de revanchismo” contra o tribunal, descartando ainda iniciativas de caráter reformista estrutural, como a ampliação do número de cadeiras na Corte.
A estratégia conjuga demonstrações de previsibilidade democrática com avisos velados, evidenciando uma lógica pragmática: a equipe do candidato oferece estabilidade institucional e afasta rupturas administrativas, mas condiciona a trégua à reciprocidade, mantendo sob suspense o destino político de Moraes. Até o momento, os magistrados procurados optaram por não se pronunciar publicamente sobre o teor dos entendimentos.