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Pai de Vorcaro nega comando sobre “A Turma” à PF e defesa reclama de prisão
A representação legal de Henrique enfatizou que nenhum elemento probatório de ordem, solicitação ou coação oriunda dele foi trazido aos autos
01/10/2026 14h14
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Metrópoles
Reprodução: Redes Sociais

Encarcerado preventivamente há mais de 110 dias, Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi ouvido pela Polícia Federal (PF) na última quarta-feira (30/9) no presídio localizado em Minas Gerais. Durante o interrogatório, o investigado negou veementemente ter liderado ou repassado diretrizes ao grupo denominado “A Turma”, alvo de apurações policiais por supostas práticas de coação, ameaças, invasão de redes e extração clandestina de dados confidenciais. A representação legal de Henrique enfatizou que nenhum elemento probatório de ordem, solicitação ou coação oriunda dele foi trazido aos autos. As informações são do Metrópoles.

Os advogados do investigado classificaram a medida restritiva de liberdade como desproporcional e injustificada:

“O excesso e a desnecessidade dessa prisão são evidentes”, pontuou a defesa, que também manifestou forte inconformismo diante da omissão da Procuradoria-Geral da República (PGR) em responder a pleitos formais e criticou a morosidade do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), na apreciação dos recursos pendentes.

Um ponto destacado pela defesa foi a realização da oitiva sem a assistência de um defensor legal, uma vez que o STF não apreciara a tempo o requerimento protocolado para que os advogados acompanhassem o ato. A equipe jurídica admitiu a existência de tratativas comerciais de Henrique com três indivíduos sob investigação, pontuando, contudo, que tais parcerias datam de 2021, período anterior ao surgimento das denúncias contra Daniel Vorcaro, estando todas formalizadas e documentalmente respaldadas.

O Contraponto das Investigações da Polícia Federal

A narrativa apresentada pela defesa choca-se frontalmente com as descobertas da PF. Os relatórios inquisitoriais apontam Henrique como o artífice financeiro do esquema, atuando como o principal elo na transmissão de ordens do filho aos membros do grupo, além de figurar como mandante e destinatário final de serviços escusos.

Detido em maio durante a deflagração da sexta etapa da Operação Compliance Zero, o investigado teve sua prisão ratificada pela Segunda Turma do STF por placar de três a um, ocasião em que o ministro Gilmar Mendes votou, defendendo a aplicação de medidas cautelares alternativas. Adicionalmente, os advogados salientaram que os familiares de Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário” (apontado pela polícia como um dos chefes operacionais da facção), negaram ter sofrido coações do grupo, embora não tenham especificado quando ou de que modo tais declarações foram formalizadas.

Daniel Vorcaro Também É Ouvido pelos Investigadores

Na mesma data, a corporação policial colheu o depoimento de Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro, custodiado na penitenciária da Papudinha, prestou esclarecimentos por meio de videoconferência a respeito de supostas ramificações de uma organização criminosa dividida em quatro núcleos distintos sob sua suposta coordenação.

Em nota oficial emitida à imprensa, os defensores do dono do Banco Master reiteraram que ele negou categoricamente qualquer envolvimento com ilícitos: “jamais praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja”.