Ao garantir vaga no Senado, Michelle Bolsonaro inicia voo solo na política

A outra cadeira em disputa na unidade federativa foi assegurada por Bia Kicis, também filiada ao PL

05/10/2026 às 11h45
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: VEJA
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Reprodução: Diego Herculano/Reuters
Reprodução: Diego Herculano/Reuters

Ao conquistar uma das duas vagas do Distrito Federal no Senado Federal no pleito desse último domingo (4), Michelle Bolsonaro consolidou sua trajetória autônoma na política institucional. O mandato, com início previsto para fevereiro de 2027, sinaliza o começo de uma jornada que, conforme avaliam entusiastas de sua força eleitoral, dificilmente se encerrará nas dependências do Congresso Nacional. A outra cadeira em disputa na unidade federativa foi assegurada por Bia Kicis, também filiada ao PL. As informações são da VEJA.

Campanhas Curtas e Restrições Judiciais

A atuação da ex-primeira-dama nas ruas caracterizou-se pela escassez de tempo, gerando mais ausência para aliados que tentavam associar suas imagens à sua popularidade, construída em cima de projetos sociais da gestão passada e de forte apelo junto ao eleitorado evangélico, do que prejuízos à sua própria candidatura. Nas poucas vezes em que deixou o domicílio, ela registrou materiais audiovisuais ao lado de postulantes de diversos estados que se deslocaram a Brasília estritamente para posar com a esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da execução penal do ex-mandatário,  atualmente em prisão domiciliar humanitária em virtude de comorbidades clínicas, limitaram a mobilidade da nova senadora. Em diversas ocasiões, Michelle pleiteou autorização para que terceiros pudessem ingressar na residência e prestar assistência a Bolsonaro por algumas horas diárias. Na prática, tais deliberações impediram que a dirigente se ausentasse por períodos prolongados ou realizasse viagens interestaduais, frustrando os planos do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que ambicionava vê-la em comícios conjuntos pelo país com o enteado e candidato presidencial da legenda, Flávio Bolsonaro.

A Crise Interna e o Desabafo nas Redes

A relação entre madrasta e enteado esteve no epicentro de um dos episódios mais marcantes da corrida presidencial de 2026. Em 24 de junho, enquanto a Seleção Brasileira entrava em campo pela Copa do Mundo contra a Escócia, a ex-primeira-dama utilizou seu perfil no Instagram para disparar um extenso desabafo em duas partes, na qual acusava o enteado de tê-la “maltratado” e “humilhado” por telefone.

O atrito teve como motivação principal a articulação do parlamentar para bloquear a candidatura ao Senado da vereadora Priscila Costa pelo PL cearense, além de impedir o apoio bolsonarista a Eduardo Girão (Novo) na disputa pelo governo estadual, exigências feitas por Michelle nas tratativas com Valdemar Costa Neto. Em contrapartida, a sigla optou por lançar o pastor Alcides Fernandes ao Senado e firmar aliança com Ciro Gomes (PSDB), fato que enfureceu a ex-primeira-dama devido às antigas críticas desferidas pelo tucano contra seu cônjuge.

Pacificação e Perspectivas para o Parlamento

Independentemente de motivações pragmáticas ou de uma conciliação real, as rusgas foram superadas. Usando como justificativa os impedimentos jurídicos determinados pelo STF para justificar a ausência em comícios de campanha, Michelle aceitou o pedido de desculpas do enteado e gravou peças publicitárias ao seu lado. Analistas apontam como provável que suas primeiras manifestações e posições no Senado reflitam estritamente as diretrizes de Jair Bolsonaro, repetindo a postura adotada durante a crise que abalou a cúpula do partido.

Com um mandato de oito anos na Casa responsável por sabatinar indicados a cargos de cúpula da República e avaliar eventuais delitos de ministros da Suprema Corte, Michelle inaugura um percurso político de difícil contenção, independentemente de uma futura reabilitação do ex-presidente. O peso estratégico da figura foi sintetizado pelo líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial sublegada, Rogério Marinho (PL-RN), em declaração recente: “Michelle é hoje um quadro político extremamente importante e valoroso no PL. Nos surpreendeu a todos a sua desenvoltura, o seu carisma, a sua aptidão do ponto de vista político. Sem dúvida nenhuma, ela vai continuar fazendo esse papel no futuro”.

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